Colocar celular na geladeira melhora a bateria?
Por Vinícius Moschen • Editado por Wallace Moté | •

O excesso de aquecimento é um problema bastante recorrente em celulares, especialmente em modelos que são mais antigos ou passam por sessões mais longas de jogos ou execução de aplicativos pesados — ou em locais com temperatura ambiente mais alta, como em boa parte do Brasil. Colocar o celular na geladeira para resfriá-lo pode parecer uma ideia interessante, mas não é bem assim, e a intenção de dar uma vida útil maior à bateria pode ter justamente o efeito contrário.
Mesmo que o celular possa ter sua temperatura reduzida rapidamente na geladeira, existem efeitos negativos que podem ser irreparáveis. A própria mudança brusca nas condições do ambiente pode danificar componentes importantes, como a bateria, que depende de reações químicas sensíveis para funcionar.
Afinal, a parte interna da geladeira é um local propício para o processo de condensação — ou seja, a passagem de compostos do estado gasoso para o líquido. Se estes materiais se infiltrarem em partes do celular que não deveriam estar, elas podem estragar.
É verdade que o aparelho colocado na geladeira recupera parte de sua carga residual, aquela que resta quando o dispositivo está praticamente esgotado e se desliga. No entanto, trata-se de um benefício bastante pequeno em comparação com os potenciais riscos.
Se a geladeira pode representar riscos, o freezer é ainda pior. Celulares não são projetados para serem expostos às temperaturas negativas que os congeladores chegam, e por isso os danos serão ainda mais extensos.
Como resfriar o celular
De qualquer forma, não há como negar que um celular opera de forma mais saudável quando está em temperaturas controladas. Afinal, neste caso ele não estará sujeito a processos como o de thermal throttling, que é quando o seu desempenho é “freado” para evitar que o smartphone entre em um processo de aquecimento irreparável.
Além disso, baterias que estejam acima de sua temperatura normal de operação estão mais dispostas a pegar fogo ou explodir, além de ter sua carga esgotada mais rapidamente por meio do calor.
Portanto, algumas dicas podem ser úteis para auxiliar a controlar o superaquecimento em celulares, como:
- Mantenha o celular em locais com sombra, arejados e longe da exposição direta ao Sol — ambientes climatizados com ar-condicionado ainda podem representar um poder extra de resfriamento, especialemente em locais com temperatura ambiente mais alta
- Evite usar o celular enquanto ele carrega — o próprio processo de carregamento inevitavelmente causa calor, e usar o dispositivo neste momento somente adicionará mais estresse, que se converterá em temperaturas ainda mais altas, carregamento mais lento, menor desempenho e até mesmo possíveis acidentes como explosões
- Retire a capinha — muitas vezes, capinhas mal projetadas podem influenciar no fluxo de calor entre os componentes internos e o ambiente externo ao aparelho, funcionando como uma espécie de “cobertor” que impede um resfriamento adequado
- Desligue funções secundárias — recursos como o Bluetooth, Wi-Fi e redes móveis podem causar estresse desnecessário no celular, especialmente em áreas com sinal fraco
- Reinicie o celular — desligar o celular e deixá-lo assim por alguns segundos pode ajudar a resfriá-lo, e na sequência ele pode ser ligado com seus processos “limpos”
Se nenhuma das soluções citadas resolver o problema de forma definitiva, é recomendável levar o aparelho até alguma assistência técnica especializada. Isso se torna ainda mais urgente caso o calor seja forte o suficiente para causar desconforto nas mãos durante o uso, principalmente se isso ocorrer fora de momentos de carregamento ou tarefas pesadas, e se a temperatura ambiente não estiver tão alta.