Netflix está usando 'Os Defensores' para melhorar seu algoritmo de sugestões

Por Redação | 22 de Agosto de 2017 às 11h10

O lançamento de Os Defensores, que aconteceu no último final de semana, é um grande evento para a Netflix. E os motivos vão além simplesmente do crossover em si, reunindo os quatro protagonistas dos shows que fazem parte do Universo Cinematográfico da Marvel. Para o serviço de streaming, trata-se também de um desafio de entendimento de público, já que a série, apesar de ser “de super-herói”, também reúne espectadores com gostos distintos.

É o que mostra, por exemplo, os caminhos seguidos por quem chegou até uma das séries originais dos quatro personagens que compõem Os Defensores. E, acredite, eles são bastante bizarros, com fãs de Grace & Frankie, por exemplo, marcando muita presença na audiência de Punho de Ferro, enquanto os adoradores de Friends e Master of None parecem gostar bastante de Jessica Jones.

Outras relações, por exemplo, são mais óbvias. A preferência por anti-heróis, como os vistos em Breaking Bad ou Dexter, ou séries com vilões em papel principal, a la Narcos ou House of Cards, leva muita gente a curtir Demolidor. Enquanto isso, o público que adora um suspense, como Black Mirror, ou histórias policiais mostram uma preferência por Luke Cage.

Diagrama mostra os shows que levaram audiência a cada série da Marvel/Netflix.

E agora, será que os públicos de todos esses títulos vão convergir para Os Defensores? O gosto por um personagem específico, cada um com sua série de estilo bem peculiar, levará os espectadores ao crossover? E, acima de tudo, será que a Netflix deve sugerir o seriado para os fãs dos seriados citados acima, cujos gostos não necessariamente correspondem aos dos adoradores de histórias de super-heróis?

É um desafio que o vice-presidente de produtos da empresa, Todd Yellin, enfrentou dentro de casa. Ele contou à Wired ter a certeza de que sua esposa adoraria Jessica Jones pelos temas e histórias apresentadas. Por outro lado, sabia que ela não gostaria de saber que a protagonista vinha dos quadrinhos. A solução foi ocultar essa informação dela. E qual não foi a surpresa dele ao perceber que ela já estava fisgada pela série quando notou o logo da Marvel que aparece antes de cada capítulo.

Grupos de interesse

Essa experiência, agora, será levada pelo executivo para seu trabalho, com Os Defensores servindo como um ponto de partida para melhorias no algoritmo de sugestão de conteúdo. A ideia da empresa é garantir que os usuários encontrem o que procuram sem precisar recorrer à busca. O sistema considera uma vitória quando o usuário seleciona um dos títulos que aparecem na tela inicial, entre os cerca de 40 que são exibidos ali.

A Netflix divide seus usuários no que chama de “comunidades de gosto”, com cada assinante inserido em pelo menos três ou quatro delas. É isso o que define, por exemplo, se Luke Cage aparece na tela indicado como uma “série de super-herói” ou como um “seriado sobre criminosos”. É o que determina se o usuário tem interesse em um rol de filmes de comédia pastelão ou se ele prefere filmes de ação com brucutus ou filmes nacionais aclamados pela crítica.

Quando se fala em Os Defensores, entretanto, há uma mistura. De acordo com a Netflix, apenas uma pequena parcela de seu público assistiu aos quatro shows dos heróis que formam o grupo, mas a maioria da audiência assistiu a pelo menos um deles. As curtidas (ou não) e o quanto os assinantes avançarem na primeira temporada definirão como será a estratégia daqui em diante.

Não se trata apenas de melhorar o algoritmo, já que o próprio futuro do crossover está em jogo. A ideia é perceber se a união dos heróis realmente faz sentido para os espectadores – como aconteceu no cinema, com Os Vingadores – ou se é melhor que os defensores de Nova York permaneçam agindo de forma individual. E isso vale também para outras séries originais da Netflix.

Fonte: Wired