5 dicas que mostram por que a Inglaterra é a rainha das séries em 2019

Por Rui Maciel | 31 de Agosto de 2019 às 12h18
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Se existe uma coisa no Brasil que é motivo de orgulho, ela atende pelo nome de novelas. Somos tão bons nesse tipo de produção que até mesmo exportamos para outros países. Logo, dizer que, por exemplo, o México faz novelas tão bem quanto a gente feriria de morte o ego de muitas pessoas.

O mesmo pode ser dito na relação entre os Estados Unidos e as séries para a TV. Afinal, foi o Tio Sam quem nos deu obras-primas como Família Soprano, The Wire, Seinfield, Friends, House, Stranger Things, True Detective, The West Wing, House of Cards, Breaking Bad e muito, muito mais. Porém, com todo respeito às produções norte-americanas, seu posto de referência no mundo das séries foi tomada por outro país em 2019: a Inglaterra.

Sim, eu sei, a afirmação é polêmica, mas não se pode brigar com a verdade. Hoje, a terra da Rainha tem as séries mais atuais, bem produzidas, extremamente bem escritas e com uma qualidade que faria Tony Soprano, Walter White, Jerry Seinfield e Francis Underwood aplaudirem de pé. E isso considerando que o número de produtoras pelos lados do Reino Unido é bem menor, proporcionalmente, se comparado ao poderio norte-americano.

Duvidam dessa afirmação? Então confiram cinco séries que provam por A+B que a Inglaterra é a rainha das séries em 2019.

Chernobyl

Chernobyl é uma daquelas séries que pertencem ao seleto grupo de unanimidade entre público e crítica. Para se ter uma ideia, ela conseguiu 95% de aprovação no (superestimado) Rotten Tomatoes e 9.5 no IMDb, além da nota máxima em quase todos os veículos especializados.

Também pudera! Esta produção inglesa (que, sejamos justos, contou com a participação da HBO) retrata com absurda fidelidade — e máxima tensão — o maior acidente nuclear da humanidade, que aconteceu em 1986, na usina de Chernobyl, na extinta União Soviética, e que quase varreu a Europa do mapa.

A minissérie tem apenas uma temporada, dividida em cinco capítulos, e conta a história da tragédia sob diversos pontos de vista, desde o bombeiro que precisou combater a primeira explosão na usina, passando pelo cientista que tem de descobrir as causas da explosão, até o soldado cuja tarefa é matar os cães contaminados pela radiação. Tudo contado de forma didática, mas sem ser chato, com a tensão em cada episódio fazendo você ficar pregado no sofá e com um realismo que fará você passar longe de uma usina nuclear. Ou não, considerando que Chernobyl hoje virou atração turística na Ucrânia.

Leia também: Depois de Chernobyl, entenda como funciona uma usina nuclear

Não por acaso, Chernobyl foi indicado a 19 prêmios Emmy e deve faturar boa parte deles, além de outras premiações, incluindo o Globo de Ouro.

Chernobyl pode ser assistida na íntegra no HBO GO.

Fleabag

Phoebe Waller-Bridge. Guarde esse nome. Trata-se, hoje, da escritora mais badalada do show business e que criou e escreveu coisas bem legais, como Crashing (Netflix), Killing Eve (Globoplay) e a sensacional Fleabag, esta disponível no Prime Video.

A personagem – cujo nome jamais sabemos – é uma jovem adulta que precisa lidar com uma família bem disfuncional (e cuja madrasta é a incrível Olivia Colman, vencedora do Oscar de Melhor Atriz desse ano por A Favorita), a culpa pela morte da melhor amiga, que se suicidou acidentalmente, e uma série de relacionamentos malsucedidos. De quebra, ela ainda tem de administrar um café com decoração inspirada em porquinhos da Índia e que está quase falindo.

A série tem apenas duas temporadas, cada uma com seis episódios, todos bem curtinhos (e não teremos uma terceira temporada, conforme a própria autora já prometeu). E é absurdamente bem escrita, navegando entre o drama e a comédia, com o imbatível humor britânico. O elenco é afiadíssimo e Waller-Bridge ainda faz um uso incrível da chamada “quebra da quarta parede”, quando ela dialoga com os personagens e os espectadores com rapidez e sem parecer forçado.

E a moral de Waller-Bridge, hoje, é tanta que ela é a supervisora final do roteiro de Bond 25, o próximo filme do agente 007, interpretado por Daniel Craig. Tá pouco ou quer mais?

After Life

Ricky Gervais não é apenas um dos melhores comediantes do mundo e um dos poucos que sabe fazer um stand-up de forma decente. Ele também é escritor, roteirista de mão cheia e criador de séries como The Office (a original, que inspirou a versão norte-americana, com Steve Carell) e pequenas pérolas como Extras (HBO), Life´s Too Short (Netflix) e, claro, After Life.

Nessa última, Gervais é Tony, um cara legal que, após a morte da esposa, decide apertar o @#$%&* (vocês entenderam) e passa a fazer e dizer o que tem vontade, até a hora em que tiver coragem de se matar. Só que as pessoas ao seu redor fazem de tudo para transformá-lo em uma pessoa melhor novamente.

As melhores piadas da série decorrem de duas situações: quando Tony pratica seu “sincericídio” a tudo e a todos e quando seus amigos tentam convencê-lo a deixar de ser mala, colocando-o em situações absurdas. Durante os seis episódios, Gervais vai quebrando todos aqueles lugares comuns das situações de luto e dos clichês ditos por quem está próximo e mostra que uma certa dose de honestidade não faz mal a ninguém.

After Life está disponível na Netflix.

Years and Years

Years and Years é uma comédia, mas poderia ser muito bem um filme de terror, daqueles bem calcados na realidade. A série fala sobre o dia a dia da família Lyons ao longo de 15 anos a partir de 2019, quando a empresária e subcelebridade Vivienne Rook (a sempre estupenda Emma Thompson) viraliza após uma série de declarações polêmicas na TV e começa uma carreira política, tornando-se aquela candidata no melhor estilo “eu falo abertamente o que todo mundo pensa, mas não tem coragem de dizer”. Ou seja, qualquer semelhança com todos esses políticos oportunistas que estão por aí não é mera coincidência (PS: fujam deles).

A partir da ascensão de Rook, você passa a acompanhar a tumultuada vida pessoal dos membros da família Lyons, paralelamente à loucura que vai tomando conta do mundo, com a esquerda e a direita no poder, bancos quebrando, ameaças nucleares pipocando, fronteiras dos países se fechando e por aí vai. Tudo em idas e vindas vertiginosas ao longo dos anos, em um ritmo alucinante.

Os roteiros dos seis capítulos da série são incrivelmente bem escritos, o elenco é redondinho e a mistura de humor britânico e um certo terror a la Black Mirror é certeira. E assustadora porque muito do que vemos em Years and Years está bem mais próximo da nossa realidade do que imaginamos.

Years and Years pode ser assistido pelos assinantes do HBO GO.

Segurança em Jogo

Exibida em 2018, os primeiros 20 minutos de Segurança em Jogo já deixam você em um nível de tensão tão alto, que fica muito difícil não emendar uma maratona para saber o que vai acontecer no resto dela. Essa série fala sobre o sargento David Budd, que após evitar um atentado em um trem na Inglaterra, é promovido a guarda-costas da ministra do Interior do Reino Unido. Mas, na sequência, ele se vê envolvido em uma conspiração governamental muito acima da sua folha salarial.

A série possui seis episódios, cada um com pouco menos de uma hora, e mistura suspense, geopolítica, espionagem e um toquezinho de drama que não faz mal a ninguém. As cenas de ação em cada capítulo são extremamente bem filmadas e as reviravoltas a partir da metade da série a tornam um prato irresistível para “zerá-la” em, no máximo, dois dias.

Outra boa notícia sobre Segurança em Jogo é que, apesar de ter um final redondo, já há negociações para que seja produzida uma segunda temporada. Ela ainda não foi confirmada pela BBC, o que deve ocorrer em breve.

Segurança em Jogo pode ser assistida na Netflix.

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