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Crítica Santo Maldito | Star+ acerta em drama que fala sobre ateísmo e fé

Por| Editado por Jones Oliveira | 10 de Fevereiro de 2023 às 22h30

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Reprodução/Star+
Reprodução/Star+

Santo Maldito é uma das principais apostas do Star+ em produções nacionais. O streaming, que faz parte do grupo Disney, traz conteúdos mais voltados para o público adulto e acerta em disponibilizar uma produção bem escrita, bem dirigida e com uma trama interessante que aborda os limites da fé e do ateísmo.

Protagonizada por Felipe Camargo na pele do professor Reinaldo e por Ana Flávia Cavalcanti como sua esposa, Maria Clara, a série acompanha a vida do casal ateu que vive lutando para pagar as contas. Os dois têm uma filha adolescente, Gabriela (Bárbara Luz), cujo sonho é continuar lutando muay-thai.

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A vida da família ia bem, mas um dia Maria Clara é vítima de uma bala perdida e acaba ficando em estado vegetativo no hospital. Sem perspectivas que a esposa melhore, Reinaldo se vê perdido e angustiado e decide tomar uma atitude drástica; romper os tubos que a mantém viva. Acontece que ao fazer isso, a mulher acorda de repente, deixando- o em choque, e parecendo um milagre.

Assustado, mas feliz, o professor segue a vida acreditando na melhora de Maria Clara. O que ele não sabia, no entanto, era que o tal momento havia sido filmado por um fiel que trabalha no hospital e que o vídeo iria cair nas mãos de Samuel (Augusto Madeira), o pastor da Profetas de Fé, uma igreja no subúrbio de São Paulo.

É a partir dessa premissa que a série começa. Pensando se tratar de um homem milagreiro, Samuel pede que Reinaldo faça um culto na sua igreja. O professor, claro, rejeita, mas repensa sua resposta após o pastor lhe oferecer dinheiro. Dinheiro esse que seria fundamental para pagar a dívida no hospital onde Maria Clara ficou internada.

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É por meio dessa dúvida de Reinaldo que somos guiados pelo embate entre fé, religião e ateísmo. Santo Maldito acerta em discutir a existência ou não de Deus, e não se centrar em cima dessa ou daquela religião. Apesar disso, mostra como a fé cega pode conduzir ao absurdo e como o ser humano conseguiu mercantilizar o sagrado.

Avançando nos capítulos, vemos que Reinaldo se torna o Profeta Rei, e é idolatrado por todos da igreja, mesmo que, em seus cultos, sempre questione a existência de uma força maior. Aqui, vale elogiar o texto de Rubens Marinelli, Ricardo Tiezzi e Bea Góes, que construíram um protagonista ao mesmo tempo rabugento e carismático, egóico e humilde. Felipe Camargo também não decepciona, e dá o tom certo ao protagonista que tenta, de todo modo, esconder da família sua nova atividade.

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Coadjuvantes completam bem a história

Se o arco dos protagonistas é bem desenvolvido, o dos coadjuvantes também não deixa muito a desejar, apesar de apresentar alguns furos, que merecem atenção em uma possível segunda temporada.

Samuel é o clássico pastor de igreja evangélica, mas não foi caricaturizado, e a atuação do veterano Augusto Madeira, contribuiu para o êxito do personagem. Além dele, brilham também Marina Provenzzano como a fiel Sônia, e Mariana Sena como Carolina, que tem uma trama interessante sobre a descoberta da sua orientação sexual, mas ainda não foi aproveitada como deveria.

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Já a protagonista Maria Clara, vivida por Ana Flávia também agrada, mas sua história fica muito aquém da de Reinaldo, que é realmente a grande estrela da série.

Ainda falando em personagens, outro ponto positivo foi o fato dos coadjuvantes serem, em sua maioria, evangélicos, o que garantiu maior veracidade à trama. Já se falarmos do cenário, o bairro de Heliópolis foi muito bem aproveitado como o fictício Jardim Inês, onde a história se passa. Ele dá personalidade a história e é o pano de fundo perfeito para reunir pastores, fiéis, traficantes e moradores da cidade.

Santo faz milagre?

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Um dos principais pontos da trama é saber se Reinaldo realmente fez um milagre, e aí está mais um acerto do texto e da direção de Gustavo Bonafé, pois a história nos conduz pela angústia do protagonista e começamos a duvidar do racional.

No final, no entanto, somos surpreendidos com uma realidade triste e cruel, que foi a responsável por fazer Reinaldo tomar raiva da religião e se virar contra o sagrado.

Aqui vale a pena reforçar que a série poderia ter desenvolvido um pouco melhor alguns personagens e pontos para terminar na primeira temporada, porém caso realmente ganhe uma segunda, esse fator não irá comprometer.

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Coesa e bem executada, Santo Maldito, então, vale o play e tem potencial para se tornar um dos principais acertos nacionais do Star+.

Se você ficou curioso com a trama e quer dar uma chancea Santo Maldito, já pode maratoná-la no Star+.