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Crítica Percy Jackson | Apesar de acertos, série tem ritmo irregular

Por| Editado por Durval Ramos | 01 de Fevereiro de 2024 às 19h00

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Divulgação/Disney+
Divulgação/Disney+

Nesta terça-feira (30), foi ao ar o último episódio de Percy Jackson e os Olimpianos, série do Disney+ que adapta a saga literária de mesmo nome escrita por Rick Riordan. Lançada em dezembro do ano passado, quando teve seus dois primeiros episódios liberados, a produção teve um começo de temporada bastante promissor, mas que não conseguiu se sustentar ao longo de seus outros seis capítulos.

Criada pelo próprio Rick Riordan em parceria com Jonathan E. Steinberg, a primeira temporada do show cobriu os acontecimentos mostrados em Percy Jackson e o Ladrão de Raios – primeiro livro da franquia, que já havia ganhado uma adaptação para os cinemas no começo dos anos 2000.

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Diferente do que aconteceu nas telonas, no entanto, a nova versão se mostrou bastante fiel à trama original, acompanhando um garoto de doze anos que descobre ser um semideus, filho de Poseidon, e embarca em uma jornada cheia de aventuras para provar que não roubou o raio-mestre de Zeus. Ao seu lado, juntam-se também à jornada o sátiro Grover e a semideusa Annabeth, dois jovens que se tornam seus amigos e fieis escudeiros.

Divisão de arcos atrapalha Percy Jackson

Se por um lado, a fidelidade ao livro atendeu a um desejos dos fãs e foi um ponto de destaque de Percy Jackson e os Olimpianos, por outro, a decisão de adaptar os 22 capítulos da obra original dificultou bastante a vida dos roteiristas e montadores da produção.

Embora a série da Disney tenha conseguido encaixar todos os principais momentos de Percy na telinha – inclusive modernizando aspectos da obra, como o passado de Medusa mostrado em Nossa Visita ao Empório de Anões de Jardim –, seus arcos foram todos divididos por episódio, independente de sua complexidade ou tempo de duração.

Na prática, isso quer dizer que várias aventuras da série foram apresentadas de maneira rápida e rasa, sendo comprimidas em 40 minutos para poderem caber no episódio da semana.

Uma decisão que, obviamente, prejudicou o andamento da trama, que mesmo tendo histórias incríveis nas mãos, como a contada com excelência em Um Deus Compra Cheeseburgers para Nós, apresentava às vezes aventuras picotadas e mal construídas, como a mostrada em De Certa Forma, Descobrimos a Verdade.

Essa irregularidade de “tramas bem trabalhadas x tramas corridas” impactou até mesmo no entendimento do show, que visivelmente teve cenas cortadas em sua montagem final e apresentou algumas explicações de forma abrupta. Desfechos esses que, para quem não leu o livro, podem ter soado um pouco confusos.

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Protagonistas têm encaixe perfeito

Apesar de todos esses problemas, há também muito o que se elogiar em Percy Jackson e os Olimpianos. Um dos grandes méritos do show é justamente o da escolha de seus protagonistas, que funcionam muito bem juntos na tela.

Carismáticos, os atores Walker Scobell (Percy), Leah Jeffries (Annabeth) e Aryan Simhadri (Grover) conseguem nos fazer acreditar na lealdade que aos poucos vai crescendo entre os três. E, ao mesmo tempo, também conseguem brilhar em seus momentos solo, em que ganham protagonismo e precisam sair de alguma enrascada sem a ajuda dos colegas.

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Além disso, diferente dos filmes, há muitos momentos de conversa e reflexão entre os personagens, o que ajuda a esclarecer o que eles estão pensando e quais são suas motivações. Esse estilo de narrativa dá mais complexidade à trama e diminui um pouco a ação da série, que passa a aparecer apenas em momentos-chave e pontuais.

Essa decisão, inclusive, torna as cenas de combate e/ou com efeitos especiais ainda mais interessantes e deixa visível o quanto elas foram bem feitas tanto em aspectos técnicos – como a Quimera de CGI do episódio Meu Mergulho para a Morte – quanto em termos de atuação.

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Mesmo agridoce, série merece segunda temporada

Embora chegue ao fim com uma sensação agridoce, de que tinha tudo para ser incrível e foi apenas mediana, Percy Jackson e os Olimpianos conseguiu mais acertos do que erros.

Inteligente, com bons personagens e sem perder o equilíbrio entre o bom humor e a seriedade, a série conseguiu entregar uma boa primeira temporada, que traz uma trama envolvente o suficiente para que o público deseje assistir ao próximo episódio.

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Caso seja renovada para uma segunda season, sua estrutura narrativa é um problema que precisa de atenção, seja aumentando o tempo/quantidade dos episódios ou, até mesmo, dividindo algumas aventuras entre parte 1 e parte 2. Além disso, as cenas noturnas também precisam ser repensadas, porque como já havíamos notado no início da temporada, estão mais escuras do que de costume.

Para quem ainda não assistiu ao show, os oito episódios de Percy Jackson e Os Olimpianos estão disponíveis no Disney+. Embora oficialmente a série ainda não tenha ganhado sinal verde para uma continuação, Rick Riordan adiantou que sua segunda temporada já está sendo escrita.