Sabia que os funcionários do TikTok podem ler suas mensagens privadas no app?
Por Lillian Sibila Dala Costa • Editado por Jones Oliveira |

Ao contrário de plataformas como Instagram, Messenger e X (antigo Twitter), o TikTok não encripta as mensagens dos usuários com tecnologia ponta-a-ponta, o que diminui a privacidade de quem se comunica pela rede social. Segundo a BBC, a empresa também não pretende adicionar a ferramenta em nenhum momento futuro.
Apesar desse fato não ser novidade, muitos internautas que usam a plataforma podem não saber que suas mensagens não têm a opção de privacidade avançada. Segundo um porta-voz do TikTok, a companhia responsável acredita que a encriptação ponta-a-ponta na verdade gera um risco para os usuários, já que “impede o cumprimento da lei e o trabalho das equipes de segurança no acesso a mensagens privadas”.
Encriptação ponta-a-ponta nas redes
O argumento do TikTok poderia funcionar se as outras companhias não houvessem sido obrigadas, pela lei, a desencriptar mensagens privadas para cumprimento de mandados e afins. No Facebook, até 78% dos pedidos de entrega de dados foram cumpridos, por exemplo.
No TikTok, as mensagens diretas são encriptadas, mas sem tecnologia ponta-a-ponta. O acesso às mensagens dos usuários é limitado a funcionários treinados com provas de que é necessário acessar a comunicação de terceiros, com justificativas como cumprimento da lei e investigações de segurança.
Na criptografia ponta-a-ponta, tanto hackers quanto oficiais do governo não podem ler suas mensagens: caso as interceptem, lerão apenas um amontoado de palavras sem sentido, que só são decodificadas quando chegam ao usuário final.
O primeiro app a oferecer a encriptação foi o iMessage, da Apple, em 2011. Facebook e Instagram levaram alguns anos para aplicá-la, e o WhatsApp ganhou a tecnologia em 2016. Uma rede associada à criptografia ponta-a-ponta desde seu início é o Signal, muito usado por jornalistas, ativistas e demais entusiastas da privacidade.
O app já afirmou não dar acesso às mensagens nem para oficiais governamentais, apesar do FBI ter encontrado maneiras de espioná-las. No Telegram, a tecnologia é usada desde 2013, mas precisa ser ativada nas configurações.
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Fonte: BBC