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Rússia seria capaz de quebrar anonimato de usuários do Telegram

Por| Editado por Claudio Yuge | 28 de Março de 2023 às 12h44

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Montagem: Caio Carvalho/Canaltech
Montagem: Caio Carvalho/Canaltech
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*Atualizado no dia 29 de março com declarações oficiais do Telegram

Dois veículos jornalísticos contrários ao governo da Rússia acusam o país de possuir uma ferramenta capaz de quebrar o anonimato de usuários do Telegram. As alegações surgem após uma investigação realizada desde meados do ano passado, em decorrência da prisão de jornalistas e diretores de grupos contrários ao governo do país, que também seriam responsáveis pela administração de grupos na plataforma de mensagens.

Os alvos seriam espaços de compartilhamento de informações contrárias aos interesses do governo. Tais grupos estariam na mira da Rostec, uma empresa estatal de tecnologia e sistemas de defesa, cuja subsidiária chamada Avtomatika teria desenvolvido um sistema capaz de descobrir a identidade de usuários a partir de diferentes fontes de informação, cruzadas de forma automática para entregar uma identidade.

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Bastaria um deslize em uma postagem, como esquecer de apagar os metadados de uma foto ou indicar a própria localização em uma postagem, para que o trabalho seja iniciado. A partir de redes sociais, blogs, fóruns, aplicativos, carteiras de criptomoedas e registros oficiais junto ao governo, assim como telemetria celular, o software Okhotnik (caçada, em russo) seria capaz de entregar a identidade do responsável pela publicação às autoridades.

De acordo com o The Bell, jornal contrário ao governo de Vladimir Putin, pelo menos três pessoas já teriam sido presas após terem sua privacidade quebrada desta maneira, incluindo dois diretores de uma revista igualmente oposta e um jornalista. O sucesso das empreitadas teria levado a Rostec a oferecer o Okhotnik a outras agências do governo da Rússia, em um trabalho de identificação de mais dissidentes que estaria sendo realizado desde o começo desse ano.

A organização Roskomsvoboda, de proteção aos direitos civis digitais da Rússia, foi além e disse que o software não seria capaz de localizar os usuários anônimos usando apenas fluxos de dados. Seus representantes especulam sobre a utilização de uma falha ainda desconhecida para os administradores do próprio Telegram, assim como um trabalho com agentes internos da empresa para chegar aos utilizadores da plataforma, no que seria mais uma flagrante quebra na privacidade deles.

Em resposta, o Telegram afirmou que os grupos disponibilizados na plataforma foram criados de forma que nem mesmo a própria companhia seja capaz de identificar seus administradores. A ideia é propiciar o uso da solução em protestos ou divulgação de informações em regimes controlados, e qualquer forma de identificação dos usuários parte de publicações realizadas pelos próprios ou o uso de recursos não-anônimos, como o de pagamentos, por exemplo.

A empresa também alertou quanto ao uso de bots em canais de discussão ou aplicativos de terceiros para acesso ao Telegram, cujos termos de uso e coletas de informações podem ser diferentes em relação aos da própria plataforma. A companhia não comentou diretamente sobre os possíveis atos do governo russo, mas recomendou como medida de segurança o uso exclusivo de soluções oficiais.

A Rostec não comentou sobre o assunto, assim como o próprio governo da Rússia, que também não se posicionou sobre as alegações.

O que diz o Telegram

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Um porta-voz do Telegram entrou em contato com o Canaltech e emitiu a seguinte declaração oficial:

Podemos confirmar que o governo russo não possui ferramentas que possamajudar a desanonimizar os donos de canais que tomam as precauçõesnecessárias: Não revelam sua identidade, por exemplo, recebendo pagamentosrastreáveis em relação ao conteúdo que publicam (por exemplo, paracolocar anúncios de terceiros no canal); Usam apenas aplicativos oficiais do Telegram; Não adicionam bots não oficiais como administradores ao seu canal.

Fonte: The Bell, Bleeping Computer