Polícia Federal prende dono de empresa acusada de fraude bilionária com Bitcoins

Polícia Federal prende dono de empresa acusada de fraude bilionária com Bitcoins

Por Felipe Gugelmin | Editado por Claudio Yuge | 25 de Agosto de 2021 às 18h20
Divulgação/3D Animation Production Company/Pixabay

A Operação Kryptos, da Polícia Federal (PF), Ministério Público Federal (MPF) e da Receita Federal prendeu na manhã desta quarta-feira (24) o empresário Glaidson Acácio dos Santos, dono da G.A.S Consultoria Bitcoin. A empresa é acusada de ter realizado desvios bilionários através de um esquema de pirâmide que atraiu investidores nos últimos cinco anos.

A prisão foi realizada na casa de Santos localizada às margens da Lagoa do Jacarepaguá, na Barra da Tijuca (Zona Oeste do Rio de Janeiro), onde foram encontrados R$ 20 milhões em espécie e barras de ouro. Com sede na cidade de Cabo Frio (RJ), a empresa prometia lucros de 10% ao mês para pessoas que se mostrassem dispostas a investir no mercado das criptomoedas.

Segundo reportagem do Fantástico, a região se tornou uma espécie de paraíso para golpistas de pirâmides, e pelo menos 10 empresas com perfis semelhantes agem na cidade — conhecida informalmente como “Novo Egito”. Investigado desde 2019, Santos nega as acusações de esquema de pirâmide e lavagem de dinheiro, garantindo atuar com inteligência artificial, tecnologia da informação e produção de softwares.

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A G.A.S Consultoria já havia sido alvo de uma investigação em 2019, quando o Ministério Público a acusou de prática de pirâmide financeira disfarçada de aplicações em bitcoins. A companhia também foi alvo da Comissão de Valores Imobiliários (CVM), que teve suspeita semelhante sobre um possível esquema — a lei 1.521/51 proíbe a criação de pirâmides no Brasil, consideradas como crime contra a economia popular.

Imagem: Reprodução/TV Globo

Segundo informações do jornal O Globo, G.A.S Consultoria, assim como a Winzer Cooperativa, a Consultoria Black Warrior e outras dez empresas que funcionam na região já estavam no radar da Polícia Civil. As investigações foram iniciadas no começo do mês após a morte de Wesley Passano Santarém, de 19 anos, que atuava como investidor e influenciador digital ligado a esquemas de pirâmide.

Uma das linhas de investigação da morte de Passano envolve uma possível guerra do mercado de investimentos que acontece em Cabo Frio. Até agora já foram realizadas as prisões de três pessoas que estariam ligadas diretamente com o assassinato: o suspeito de ser o contratante dos executores, um dos executores e o motorista do carro usado durante o crime.

Movimentações bilionárias

Segundo as investigações, Santos e a G.A.S Consultoria são responsáveis por operar um esquema do estilo ponzi, no qual há a oferta pública de contrato de investimento sem prévio registro junto aos órgãos regulatórios vinculados ao mercado de criptomoedas. Prometendo um retorno financeiro insustentável, a empresa movimentou cifras bilionárias nos últimos anos — ao menos 50% das operações ocorreu nos últimos 12 meses.

Imagem: Reprodução/TV Globo

Os investigadores envolvidos no caso afirmam que o acusado sequer aplicava os valores obtidos em criptomoedas, enganando duplamente seus investidores. A companhia afirma ter um total de R$ 75 milhões de capital social e tem como sócio-administrador a venezuelana Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, mulher de Santos.

Fonte: O Globo, O Metropoles, G1, Fantástico

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