Pesquisa indica que Android envia 20 vezes mais dados do usuário do que o iOS

Pesquisa indica que Android envia 20 vezes mais dados do usuário do que o iOS

Por Ramon de Souza | Editado por Claudio Yuge | 30 de Março de 2021 às 22h40
Reprodição/Masakaze Kawakami (Unsplash)

Todos nós sabemos que, infelizmente, a maioria dos aplicativos para dispositivos móveis recolhem mais dados pessoais de seus usuários do que o necessário — uma recente pesquisa da Zimperium, noticiada pelo Canaltech, mostrou que mais de 18 mil programas para smartphones estavam vazando informações e colocando em risco a privacidade dos internautas. Agora, um novo levantamento feito pelo irlandês Douglas Leith da Trinity College mostra que a situação é ainda mais crítica no Android.

Ao analisar os dois sistemas operacionais lado a lado, Leith percebeu que o SO do Google envia 20 vezes mais informações dos seus usuários para servidores remotos do que o iOS. Enquanto o robô verde já envia 1 MB de dados ao celular ser simplesmente ligado, o sistema da Apple envia apenas 42 KB; durante um período de 12 horas (com o celular totalmente em inatividade), o Android também envia 1 MB para os servidores do Gigante das Buscas, enquanto a Maçã recolhe apenas 52 KB.

Ambos compartilham uma quantidade expressiva de dados, incluindo ações triviais como a inserção e a remoção de um cartão SIM; porém, quando falamos sobre aplicativos pré-instalados, o iOS coleta dados apenas da Siri, do Safari e do iCloud. Já o Android possui coletores embutidos no Chrome, no YouTube, no Docs, no Safetyhub, no Google Messenger e até mesmo nos widgets de relógio e de busca. Tudo isso com o celular em stand-by, sem qualquer outro app de terceiro instalado.

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Google se defende

Ao Ars Technica, um porta-voz do Google discordou da metodologia usada por Leith. “Identificamos falhas na metodologia do pesquisador para medir o volume de dados e discordamos das afirmações do artigo de que um dispositivo Android compartilha 20 vezes mais dados do que um iPhone. De acordo com nossa pesquisa, essas descobertas estão erradas por uma ordem de magnitude, e compartilhamos nossas preocupações metodológicas com o pesquisador antes da publicação”, explicou.

Imagem: Rami Al-Zayat/Unsplash

“Esta pesquisa descreve amplamente como os smartphones funcionam. Os carros modernos enviam regularmente dados básicos sobre os componentes do veículo, seu status de segurança e horários de serviço para os fabricantes de automóveis, e os telefones celulares funcionam de maneiras muito semelhantes. Este relatório detalha essas comunicações, o que ajuda a garantir que o software iOS ou Android esteja atualizado, os serviços funcionem conforme o esperado e que o telefone esteja seguro e funcionando com eficiência”, conclui o executivo. A Apple não se pronunciou sobre o assunto.

A título de curiosidade, os experimentos do pesquisador foram feitos em um iPhone 8 rodando o iOS 13.6.1 e em um Pixel 2 executando o Android 10; para que os dados telemétricos fossem identificados, o iPhone foi desbloqueado (jailbreak) com o exploit Checm8.

Fonte: Ars Technica

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