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Mulheres na cibersegurança: como ter mais de nós nesse e em outros mercados?

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Foto de ThisIsEngineering no Pexels
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Por Glaucia Young, líder de cibersegurança na Microsoft

Em um mundo sujeito à constante mudança e um número crescente de inovações, a área de segurança digital tem se consolidado como uma das mais importantes para a tecnologia do futuro. Segundo um levantamento da Polícia Federal brasileira, em 2018, o crime cibernético causou prejuízos de R$3 bilhões no país. Por isso, tornou-se imperativo para as empresas garantirem sua própria proteção  e também a de seus clientes. 

E quando falamos em resolver problemas, quanto maior a diversidade de pensamentos, melhor, certo? Em teoria, sim. Mas, na prática, ainda não é o que vemos. A presença de mulheres que, como eu, atuem na área de cibersegurança ainda é muito baixa. Há atualmente 2,9 milhões de vagas não preenchidas na área de segurança cibernética ao redor do mundo, segundo os resultados do Cybersecurity Workforce Study. E, em um país onde 52% da população é feminina, apenas 24% delas ocupam cargos neste universo. 

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Essa discrepância massiva tem origem desde a formação acadêmica de jovens, onde há pouco incentivo para mulheres em cursos nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, as chamadas STEM (na sigla em inglês). No Brasil, 33,1% dos graduados nessas áreas são mulheres, segundo dados da Unesco. 

Sabemos que jovens treinados em linguagens de programação são os mais propensos a entrarem no mercado de trabalho, conforme o futuro avança para o digital. Por isso, é imprescindível capacitar mulheres em novas habilidades desde o ensino básico para inseri-las neste mercado com maior facilidade, diminuindo as diferenças de gênero e dando oportunidades para pessoas inovadoras contribuírem com o desenvolvimento de novas tecnologias.

Além do mais, a área de segurança cibernética também precisa das mulheres! Isso, claro, exige cada vez mais soluções profissionais criativas e diferenciadas para ajudar a resolver novos problemas com novos olhares. A inclusão, portanto, torna-se a estratégia perfeita para otimizá-la, pois times diversos geram ideias diversas, garantindo resultados melhores e mais precisos!

Apesar de tudo, elas representam a população que mais cresce dentro do setor. Comparado aos homens, uma porcentagem maior de mulheres está alcançando cargos como chief technology officer (7% das mulheres versus 2% dos homens), vice-presidente de TI (9% vs. 5%), diretora de TI (18% vs. .14%) e nível C / executivo (28% vs.19%), de acordo com dados do relatório Women in Cybersecurity, do (ISC), de 2019.

Já o Brasil se destaca na distribuição de gênero na área de STEM, quando comparado aos outros países. Em 2015, havia 19% de inventoras, 49% das publicações de artigos científicos feitas por mulheres, e 21% dos pedidos de patentes com ao menos uma pessoa do sexo feminino na equipe. Apesar do progresso nesses últimos anos, ainda há muito a se realizar. Portanto, é imprescindível focar nossos esforços em ampliar a contratação de mulheres em times de Segurança da Informação, reter e incentivar o público feminino nos cursos acadêmicos, na entrada e participação nas áreas e em tecnologia como um todo, além de conscientizar nossos colaboradores da área quanto a estes valores. 

Hoje trabalho em uma empresa que está comprometida em encorajar mulheres a iniciarem carreiras em STEM e seguir nelas por muitos anos. Planejamos programas que são exemplos de como mudar essa realidade e mostrar como estudantes podem explorar suas possibilidades. Um deles é o DigiGirlz, que dá oportunidades para alunas aprenderem sobre carreiras em tecnologia. Outro é nossa parceria com a GirlsWhoCode em cursos de verão de aprendizado anual e intensivo. Temos também o projeto “Eu Posso Programar Para Meninas”, que é uma campanha com o objetivo de convocar meninas nas redes sociais que queiram aprender a linguagem de código e a programação. 

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Além do Brasil, também trabalhamos com diversos parceiros globais, como é o caso da Laboratoria, no Peru. Nossa meta é garantir que jovens mulheres talentosas se sintam bem-vindas em carreiras STEM, especialmente no ramo tecnológico. Acredito que meu caso é um exemplo de que a diversidade nas equipes é essencial para termos um trabalho mais assertivo e eficaz. Sendo uma brasileira trabalhando nos Estados Unidos, pude contribuir em projetos que fugiam da realidade do país, mas que se enquadravam em casos que acontecem no Brasil. Isso me fez priorizar a construção de uma equipe diversa.

Costumo dizer que me sinto como a “mulher maravilha” lutando contra os crimes. Esse mundo me trouxe oportunidades incríveis e quero que essa oportunidade seja estendida para todas as jovens que estão correndo atrás de seus sonhos e para todas as mulheres que trabalham ou querem trabalhar com tecnologia.