Golpes em delivery já roubaram mais de R$ 600 mil em São Paulo

Por Felipe Demartini | 05 de Agosto de 2020 às 12h18
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O Procon de São Paulo emitiu alerta sobre golpes envolvendo entregadores e clientes de delivery, que desde março já teriam gerado prejuízos de mais de R$ 600 mil. As fraudes envolvem o desconhecimento dos clientes quanto ao funcionamento de aplicativos desse tipo e o uso de equipamentos danificados, como máquinas de cartão, para cobrança de valores exorbitantes ou taxas extras e inexistentes dos clientes.

Segundo o serviço de proteção ao consumidor, somente em São Paulo, foram 120 denúncias entre março e julho. Os prejuízos acompanham o período de maior fluxo em serviços desse tipo, devido à pandemia do novo coronavírus, e se aproveitam dos pagamentos presenciais, uma opção presente nos aplicativos como opção para acertar as contas dos pedidos.

Na primeira categoria de golpe, é utilizada uma máquina de cartão com a tela quebrada para enganar o consumidor. Ele não consegue ver o montante inserido pelo entregador, que é maior que o do próprio pedido, e acaba inserindo sua senha, autorizando o repasse de uma quantia maior do que a devida e percebendo o golpe apenas depois, quando o valor aparece em faturas ou aplicativos das empresas financeiras.

No segundo tipo de golpe, este contra aqueles que realizam o pagamento online, os usuários recebem uma ligação, supostamente, em nome do próprio serviço ou do estabelecimento, informando sobre problemas na transação ou a necessidade de acertar uma taxa extra. Aqui, também, existem dois caminhos possíveis: os dados do cartão de crédito podem ser pedidos pelo telefone ou, então, a cobrança adicional pode ser feita na entrega.

A proliferação dos golpes já levou os próprios aplicativos a tomarem atitudes. O iFood, por exemplo, exibe avisos após os pedidos pagos pelo app para que os usuários não caiam em golpes desse tipo, já que nenhum valor adicional precisa ser acertado por eles. A recomendação do Procon de São Paulo, inclusive, é que os clientes prefiram esse método, mais seguro e que não envolve a manipulação do cartão de crédito — uma alternativa que protege as finanças e, também, previne contra o coronavírus.

Além disso, o órgão iniciou procedimento contra empresas como Rappi e iFood em busca de uma solução para o problema, principalmente, diante da alegação de que elas não têm controle dos entregadores, que são autônomos ou contratados dos próprios estabelecimentos. O Procon trabalha ao lado do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) em uma investigação que apura os envolvidos nas fraudes e também até que ponto as empresas possuem responsabilidade sobre os casos — a expectativa é de que elas sejam multadas caso não tomem atitudes mais severas sobre os casos.

Aos atingidos, o Procon recomenda a abertura de boletim de ocorrência na delegacia mais próxima e o contato com a operadora do cartão, na tentativa de estornar o valor pago indevidamente. Além disso, vale a pena procurar a ajuda das operadoras das máquinas usadas na fraude para que o bloqueio dos equipamentos possa ocorrer, assim como o dos valores pagos indevidamente aos criminosos.

Em comunicado enviado ao UOL, o iFood afirmou ter prestado esclarecimentos ao DPPC e disse que a prática afeta tanto aos clientes quanto à própria empresa, que está trabalhando ao lado das vítimas para ressarci-los, ainda que o golpe não tenha sido aplicado em sistemas do próprio serviço. Já o Rappi disse não trabalhar com máquinas de cartão nem praticar cobranças de taxas extras, analisando todos os casos de fraudes reportados pelos clientes e permanecendo à disposição das autoridades para investigações.

Fonte: UOL

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