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Golpes de identidade colocaram quase R$ 2 bi em risco no Brasil

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Karolina Grabowska/Pexels
Karolina Grabowska/Pexels

Tentativas de fraude com identidade digital poderiam causar até R$ 1,98 bilhão em prejuízos no primeiro trimestre, caso não fossem bloqueadas. É o que mostra o Mapa da Fraude, apresentado pela Serasa Experian nesta quinta-feira (18).

O levantamento faz um retrato do cenário de golpes no Brasil, marcado pelo uso de inteligência artificial para torná-los mais convincentes.

Ao longo dos três primeiros meses de 2026, a companhia identificou quase 1,5 milhão de tentativas em cadastros e validações de identidade, o equivalente a uma abordagem a cada cinco segundos. A alta é de 36,6% em relação ao mesmo período de 2025.

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A fraude de identidade digital quando criminosos utilizam dados de terceiros, documentos falsos ou informações manipuladas para se passar por outra pessoa em cadastros e transações online. No geral, esse tipo de golpe costuma aparecer em abertura de contas, pedidos de cartão, compras e contratação de serviços digitais.

Entre os segmentos analisados, meios de pagamento tiveram o maior volume de tentativas de fraude de identidade, com 644,5 mil ocorrências no trimestre, o equivalente a 43,1% do total. Em seguida aparecem telefonia, com 313,2 mil casos, e bancos e cartões, com 259,1 mil registros.

A região Sudeste concentrou a maior fatia das tentativas de fraude no Brasil, seguido pelo Nordeste, com 333,1 mil, e pelo Sul, com 216,1 mil. Em São Paulo, o estado registrou sozinho mais de 230 mil ocorrências, o equivalente a 15,8% de todo o acumulado no país.

IA torna golpes mais convincentes

A pesquisa também mostra uma das principais tendências neste universo nos próximos meses: o uso de inteligência artificial para ataques. Afinal, a tecnologia pode ser utilizada indevidamente para criar mensagens mais naturais, páginas falsas mais críveis e perfis sintéticos mais difíceis de identificar.

Os golpistas também se concentram em táticas para manipular buscas de IA para incluir números de call center falsos.

Deepfakes, com áudios e vídeos manipulados por IA para simular pessoas reais, também aparecem entre os pontos de atenção. A técnica chama a atenção em abordagens baseadas em engenharia social, que pode ser aplicada para dar mais escala e realismo às tentativas.

É o caso de transmissões ao vivo e de anúncios falsos que utilizam imagens de figuras públicas para aplicar golpes. Há, também, casos de criminosos que se passam por executivos em reuniões de empresas.

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152 mensagens por minuto

Na camada de cibersegurança, o estudo identificou 19,7 milhões de mensagens associadas a golpes entre janeiro e março, uma média de 152 mensagens por minuto.

A companhia também mapeou cerca de 10 mil anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos, alta de 8,3% em relação ao mesmo trimestre de 2025, e um crescimento de 139% na presença de grupos de circulação e troca de conteúdo fraudulento.

Segundo o vice-presidente de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, Eric Dhaese, esse dado indica que a fraude digital depende cada vez mais de redes organizadas de disseminação.

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“A fraude está cada vez mais estruturada. Não se trata apenas de uma mensagem suspeita chegando ao consumidor, mas de um ecossistema de anúncios, perfis, páginas, aplicativos e grupos que sustentam a disseminação das tentativas”, afirma.

E-commerce

No comércio eletrônico, quase 1 a cada 100 transações foi considerada tentativa de fraude no período, totalizando mais de 368 mil registros no período. Essas abordagens somaram R$ 337,9 milhões em valor preservado por soluções antifraude.

O ticket médio das compras fraudulentas foi de R$ 917,52, valor 62% superior ao dos pedidos legítimos, o que indica uma busca por compras de maior retorno financeiro.

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Em relação à quantidade de tentativas por categorias, “Beleza” liderou com aproximadamente 33 mil ocorrências, acompanhada por “Calçados”, com 29,4 mil, e “Saúde”, com 18,9 mil.

Já no recorte de risco, a categoria “Celulares” aparece no topo, com índice de 3,11%. Também aparecem entre os recorte de maior risco “Acessórios eletrônicos”, com 2,62%, e “Eletrônicos”, com 2,11%.