Golpe da Caixa Misteriosa engana consumidores prometendo iPhone por R$ 180

Golpe da Caixa Misteriosa engana consumidores prometendo iPhone por R$ 180

Por Dácio Castelo Branco | Editado por Claudio Yuge | 06 de Junho de 2022 às 14h10
AltumCode/Unsplash

Quem navega por marketplaces online com o da Amazon e do Mercado Livre já deve ter se deparado com as “caixas misteriosas”, pacotes misteriosos com produtos embalados aleatoriamente e que prometem chances de o consumidor receber até mesmo iPhone por uma porcentagem mínima do preço real do dispositivo. A oferta aparentemente vantajosa, porém, está fazendo com que clientes que decidam testar sua sorte se sintam, muitas vezes, lesados.

Os produtos que estão causando o problema são vendidos em ofertas a partir de R$ 100, e são enviados da China diretamente para a casa do consumidor sem taxas adicionais de importação. Além dos marketplaces, as caixas misteriosas também podem ser encontradas em sites de fornecedores dedicados a somente esse tipo de oferta.

Diferentes ofertas de caixas misteriosas na Amazon, todas vindas de diferentes fornecedores do marketplace. (Imagem: Captura de Tela/Dácio Augusto)

A insatisfação com a oferta é visível por meio do site Reclame Aqui, que contou no período de janeiro a maio desse ano com quase 4,5 mil registros de reclamações de usuários que compraram as caixas misteriosas. Em um dos relatos mais recentes presentes na plataforma, realizado nesta segunda-feira (6), um cliente comenta que realizou a compra de um dos pacotes no valor de R$ 198, mas recebeu somente alguns acessórios para mouse e um colar de celular de valor aproximado R$ 40, quebrando a promessa de que no mínimo a aquisição teria itens de valor equivalente ao investido pelo comprador.

Relato recente no Reclame Aqui sobre as caixas misteriosas da Amazon. (Imagem: Captura de Tela/Dácio Augusto)

Outro ponto que chama a atenção na venda desses produtos é o fato que os anúncios afirmam que a troca dos dispositivos obtidos só poderá ser realizada em caso de mau funcionamento — situação que fere o Código de Direito do Consumidor, que garante o direito de arrependimento de compras online por clientes até sete dias após a data de entrega.

Para o diretor do Proteste, Henrique Lian, em reportagem publicada pelo UOL sobre o caso, o anúncio das caixas misteriosas explora a boa-fé de possíveis compradores com a falta de informações — além da fala de informações sobre quais são os itens que podem compor o pacote, enquanto o anúncio mostra TVs e celulares, configura a prática como propaganda enganosa.

O Canaltech entrou em contato com a Amazon Brasil e com o Mercado Livre pedindo posicionamento de ambas as empresas sobre a questão. A Amazon nos retornou o seguinte posicionamento:

Os vendedores parceiros devem seguir nossas diretrizes e políticas ao colocar produtos à venda em nosso site. Aqueles que não o fizerem estarão sujeitos a sanções, incluindo a possível remoção de sua conta. Os produtos em questão não estão mais disponíveis.

Já o Mercado Livre, até o fechamento desse conteúdo, ainda não havia respondido à solicitação. Assim que recebermos o posicionamento, atualizaremos esta matéria. 

Evitando cair nas caixas misteriosas

A oferta das caixas misteriosas, à primeira vista, pode parecer algo agradável e até mesmo vantajosa, mas é importante que as pessoas tenham em mente, conforme explicado acima, que a situação pode se trata de propagandas enganosas.

Para tanto, as recomendações são que os usuários fiquem sempre atentos a essas ofertas, e caso se interessem pesquisem bem antes de comprar — procurando avaliações, entrando em contato com outros clientes que tenham arriscado adquirir o pacote e também procurem possíveis relatos em plataformas como Reclame Aqui.

Além disso, a maioria das caixas misteriosas são oferecidas através de marketplaces das grandes plataformas de e-commerce, tornando possível conferir a situação do CNPJ da fornecedora no site da Receita Federal.

Por fim, caso o usuário tenha comprado o item e tenha problemas, com a loja não cooperando para resolução do mesmo, a recomendação é a abertura de uma reclamação no Procon de seu estado e, em último caso, a entrada com uma ação em um JEC (Juizado Especial Cível), o juizado de pequenas causas — que não obrigam o uso de advogado como representante por tratar de ações com valores de até 20 salários mínimos (R$ 24,2 mil).

Fonte: UOL, Reclame Aqui

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