Facebook, Twitter e outras tentam barrar venda de cartões de vacina falsos

Por Ramon de Souza | Editado por Claudio Yuge | 08 de Abril de 2021 às 21h30
Reprodução/seventyfourimages (Envato)

Há uma tendência bastante curiosa em crescimento nos Estados Unidos — a venda de falsos cartões de imunização contra a COVID-19. Tal como ocorre no Brasil, os EUA distribuem um documento para todo cidadão que é vacinado contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2), listando seus dados pessoais e algumas informações sobre as doses recebidas. O problema é que, por lá, esse cartão já virou uma espécie de “passaporte” altamente desejado que lhe dá mais liberdade para frequentar espaços fechados.

Por conta disso, conforme reportado pelo The New York Times, “milhares” de estelionatários já lucram horrores com a venda desses certificados — e o mais impressionante é que o comércio é efetuado às claras, em plataformas públicas como Marketplace (do Facebook), Twitter, eBay, Etsy e Shopify. Estima-se que existam dois perfis de compradores: aqueles cujo estado esteja demorando demais para vacinar todos os cidadãos e aqueles que são antivacina, mas querem continuar seguindo suas vidas normalmente.

A situação é tão crítica que, no dia 1º de abril, a Associação Nacional de Procuradores-Gerais (National Association of Attorneys General ou NAAG) dos Estados Unidos assinou uma carta pedindo “ações imediatas” das plataformas supracitadas — e eles não estavam fazendo uma brincadeira do Dia da Mentira. Na mensagem (que foi enviada aos CEOs de cada companhia), os procuradores pedem que os apps monitorem e eliminem esse tipo de anúncio, além de manterem um registro de quem estava vendendo.

“O anúncio e as vendas falsas e enganosas de cartões de vacina falsos da COVID-19 ameaçam a saúde das nossas comunidades, retardam o progresso na proteção de nossos residentes contra o vírus e são uma violação das leis de muitos estados”, afirma a carta. “Como resultado, estamos pedindo que você adote ações imediatas para evitar que suas plataformas sejam usadas como um veículo para promover esses atos fraudulentos e enganosos que prejudicam nossas comunidades”, finaliza.

Imagem: Reprodução/krushon (Envato)

Felizmente, a resposta das companhias parece estar sendo rápida. Embora Facebook e Twitter não tenha emitido um pronunciamento público à imprensa estrangeira, elas garantiram que a venda desses papéis viola as suas políticas de uso. Além disso, o eBay garantiu estar tomando "medidas significativas para bloquear ou remover rapidamente" os cartões falsos, o Shopify afirmou que vem "monitorando proativamente" esse tipo de atividade desde fevereiro, e que "todas as lojas identificadas violando nossas políticas foram rapidamente fechadas."

O fenômeno assusta, mas não surpreende. Desde o início da pandemia, diversos golpes passaram a ser aplicados na web — incluindo a venda de máscaras N95 pirateadas, potes de falso álcool em gel e até mesmo as próprias vacinas (que, na maioria das vezes, é simplesmente água ou qualquer outro líquido transparente). O que chama atenção neste episódio é que os usuários finais sabem que estão adquirindo algo falsificado e mesmo assim colaboram para o crescimento desse mercado negro.

E no Brasil?

O Brasil também está trabalhando com um sistema de cartões para controlar e atestar que cada cidadão recebeu duas doses da vacina CoronaVac — o Ministério da Saúde resolveu não incluir tal imunização na clássica “carteira de vacinação”, visto que muitos civis perdem tal documento. Cada unidade federativa ganhou “liberdade artística” para elaborar seu próprio documento comprobatório, de forma que o cartão de um morador do estado de São Paulo será distinto daquele de alguém que reside no Rio de Janeiro, por exemplo.

Exemplo de anotação de vacinação contra a COVID-19 na carteirinha de vacinação brasileira (Fotografia/Luciana Zaramela)

O Canaltech realizou uma rápida busca e não encontrou indícios de que tal comércio está ocorrendo aqui no Brasil; porém, tal como todos os outros golpes relacionados à COVID-19, é bem provável que os estelionatários “importem” a ideia para cá em um futuro breve. Entramos em contato com o Twitter e com o Facebook para saber se as empresas estão adotando medidas para mitigar tal ação criminosa; atualizaremos esta reportagem assim que tivermos um retorno.

Fonte: The New York Times (via Business Insider), NAAG

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