Das 18,4 milhões de denúncias sobre abuso infantil, 12 milhões são do Messenger

Das 18,4 milhões de denúncias sobre abuso infantil, 12 milhões são do Messenger

Por Nathan Vieira | 30 de Setembro de 2019 às 14h00

No último sábado (28), o The New York Times fez uma reportagem em torno do abuso infantil e de como isso tem se intensificado com a facilitação da tecnologia. Em 2018, dentre as 18,4 milhões de denúncias feitas contra a pornografia infantil, 12 milhões envolveram o Messenger, do Facebook. Além disso, as empresas de tecnologia registraram um recorde de 45 milhões de fotos e vídeos compartilhados online no período em questão.

O jornal norte-americano revisou mais de 10 mil páginas de documentos policiais e judiciais, conduziu testes de software para avaliar a disponibilidade das imagens por meio de mecanismos de busca, acompanhou detetives em ação e conversou com investigadores, legisladores, executivos de tecnologia e funcionários do governo. Os relatórios incluíam até mesmo conversas com um pedófilo, que admitiu que ocultara sua identidade usando software de criptografia e que administra um site que hospedou até 17 mil imagens desse tipo.

De acordo com o que foi descoberto por meio das investigações do The New York Times, grupos online estão se dedicando a compartilhar imagens de crianças pequenas e formas mais extremas de abuso. Esses grupos usam tecnologias criptografadas e a deep web para ensinar aos pedófilos como realizar os crimes e como registrar e compartilhar imagens do abuso em todo o mundo. Em alguns fóruns online, as crianças são, inclusive, forçadas a exibir cartazes com o nome do grupo ou outras informações de identificação para provar que as imagens são novas.

Em março, Mark Zuckerberg dissertou sobre os planos da empresa de criar uma plataforma do Messenger mais segura, com um processo que inclui a criptografia de conteúdo privado no site. As mensagens criptografadas fornecem um nível de segurança a todos que as usam, e isso também envolve os agressores sexuais. Com esse tipo de proteção, nem mesmo o suporte de uma plataforma (como o Facebook) pode ver as mensagens enviadas. Embora a maioria prefira não ter as conversas particulares "invadidas", há um argumento em torno disso. Mesmo que a privacidade seja uma questão tão delicada para o Facebook.

A criptografia protege as mensagens das pessoas, mas isso acaba incluindo as mal-intencionadas também

"A criptografia é uma ferramenta poderosa para a privacidade, mas isso inclui a privacidade das pessoas que fazem coisas ruins", escreve Zuckerberg, na época. "Quando bilhões de pessoas usam um serviço para se conectar, algumas delas usam para coisas realmente terríveis, como exploração infantil, terrorismo e extorsão", completou.

Fonte: New York Times via Mashable

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