Congressistas dos EUA pedem que Google pare de coletar dados de localização

Congressistas dos EUA pedem que Google pare de coletar dados de localização

Por Felipe Demartini | Editado por Claudio Yuge | 26 de Maio de 2022 às 16h20
Mars Sector-6/Unsplash

Um grupo de mais de 40 congressistas dos Estados Unidos publicou uma carta aberta ao Google pedindo o fim da coleta e armazenamento de dados de localização dos smartphones com Android. A solicitação está relacionada a uma possível proibição do aborto em todo o território americano, com as informações podendo ser usadas na perseguição de mulheres que realizarem a prática.

O texto é encabeçado pelo senador democrata Ron Wyden e pela representante Anna Eshoo, sendo endereçado diretamente ao CEO do Google, Sundar Pichai. No texto, as partes criticam o compartilhamento de dados desse tipo com o governo e apontam que tais medidas poderiam ser usadas por extremistas para localizar e punir mulheres, enquanto, para a gigante, se tratam de parte da política de publicidade, que não deve se tornar arma para perseguição contra partidários do aborto.

Na visão dos congressistas, apenas a obtenção de uma ordem judicial, nestes casos, não é suficiente, já que em um ambiente de aborto proibido, obter tais mandados será um processo direto, voltado a processar e prender mulheres que buscarem tais procedimentos. A carta pede que o Google não coloque seus interesses comerciais acima dos direitos dos cidadãos.

Ao mesmo tempo, o texto elogia a Apple, afirmando que a empresa realiza um rastreamento menos invasivo e também é mais dura na cooperação com as autoridades quanto ao compartilhamento de informações. A carta afirma que os usuários de iPhone estão mais seguros do que os donos de smartphones com Android, daí o direcionamento da solicitação apenas ao Google.

Críticas são feitas, por exemplo, ao próprio design do sistema operacional, com os congressistas afirmando que a plataforma foi desenhada de forma que os usuários, quando optam por entregar dados a um app, também o façam para o próprio Google. É possível, aponta o texto, desligar tal rastreamento, mas as opções são confusas e muitas vezes sobrepostas, o que acaba levando à coleta de dados de localização que, agora, são o ponto de discussão para os congressistas.

O apelo vem diante da expectativa de a Suprema Corte dos EUA reverter uma decisão dos anos 1970, conhecida como Roe Vs. Wade, que garantiu o direito ao aborto antes da 24ª semana de gestação. Leis estaduais já em vigência no Texas, por exemplo, já revogaram esse direito, e o pedido é para que cada unidade da federação legisle de forma independente sobre essa questão — a expectativa é de banimento na maioria dos casos, que já possuem cláusulas ou normas contrárias, mas que não são efetivas, justamente, devido à ordem federal que, agora, pode cair.

O Google não se pronunciou sobre a carta enviada pelos congressistas. Quando fala de seus produtos e sistemas, a companhia costuma afirmar ter soluções que levam a privacidade em conta desde o início do design; recentemente, por exemplo, ela anunciou novos controles relacionados ao direcionamento de propagandas, enquanto normas em diferentes países pedem por maior clareza quanto à opção do usuário em manter ou não o rastreamento de localização e uso.

Fonte: Ron Wyden

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