Clubhouse admite vazamento de áudios de salas privadas para fora da rede social

Por Ramon de Souza | 24 de Fevereiro de 2021 às 20h10
Divulgação/Clubhouse

É sempre assim — uma tecnologia surge de forma repentina, é adotada de forma massiva pelos cidadãos e logo começam a aparecer as primeiras preocupações com questões como a proteção de dados e privacidade. Não poderia ter sido diferente com o Clubhouse. A nova rede social explodiu em popularidade por conta do endosso de várias celebridades, mas já temos as primeiras polêmicas envolvendo sua segurança cibernética.

A plataforma confirmou, nesta quarta-feira (24), os rumores que circularam na web ao longo dos últimos dias: um usuário não identificado conseguiu “vazar” áudios de salas privadas do aplicativo e transmiti-los para um site próprio no último domingo (21). O indivíduo teria percebido que era possível frequentar vários bate-papos ao mesmo tempo e conseguiu criar um sistema para extrair as mensagens para sua página.

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“No último fim de semana, um usuário transmitiu temporariamente várias salas de bate-papo para um site. A conta deste indivíduo foi permanentemente banida do serviço e etapas de segurança adicionais para impedir que outras pessoas façam o mesmo no futuro”, explicou um porta-voz à BBC. Apesar desse posicionamento oficial, o próprio diretor de tecnologia do Clubhouse, David Thiel, confessou ao veículo que não enxerga o ato como malicioso.

Coincidentemente, o incidente ocorreu logo após a emissão de um alerta do Observatório da Internet da Universidade de Stanford, que se mostrou preocupado com a segurança do software após encontrar falhas estruturais de proteção em seu código-fonte. Também preocupa o fato de que parte da infraestrutura do Clubhouse é fornecida pela empresa Agora, que possui escritórios e servidores na China.

Imagem: Reprodução/9to5Mac

“Considere os bate-papos do Clubhouse como semipúblicos, devido aos problemas com o Agora e ao fato de que todos nós temos microfones nos celulares”, comentou Thiel em seu perfil oficial no Twitter. De fato — por mais que a ideia é que as conversas privadas sejam, bem, fechadas apenas aos convidados, várias pessoas estão usando gravadores externos para eternizar essas mensagens (especialmente aquelas com a participação de celebridades) e publicá-las no YouTube.

Para o pesquisador de segurança Robert Potter, o problema é que o aplicativo é um tanto “imaturo”. O especialista acredita que é natural que os internautas passem a construir sistemas e ferramentas para extrair informações, como já acontece com outras redes sociais. O problema é que os usuários estão exageradamente entusiasmados com essa novidade social e estão deixando de adotar os bons hábitos de segurança.

“O mesmo fenômeno aconteceu com o Zoom e com o TikTok. Vemos mais uma vez um aplicativo que consegue um crescimento muito alto, se torna viral e logo depois aparecem problemas de privacidade ou são encontrados bugs que não eram tão importantes quando a plataforma era menor. A segurança cibernética vem depois”, explica Potter.

Fonte: BBC

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