Você fuma? Cigarro pode piorar significativamente quadros de COVID-19

Por Fidel Forato | 19 de Maio de 2020 às 16h40
Pixabay

Cientistas e pesquisadores seguem trabalhando para desvendar o novo coronavírus (SARS-CoV-2) e tentam entender os efeitos da COVID-19 em humanos. Nesse caminho, o diretor-executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, lembra que o tabagismo é, normalmente, um fator de risco para infecções respiratórias, doenças vasculares, cardiovasculares e pulmonares. Por isso mesmo, o hábito de fumar forma uma "combinação catastrófica" com a COVID-19.

Segundo uma análise feita na China que comparava grupos de fumantes e não fumantes infectados pelo coronavírus, a doença teve evolução mais grave e um índice maior de letalidade no grupo tabagista. “Alguns artigos mostraram 1,5 vez mais, outros 2,4 vezes mais. Ou seja, você mais do que duplica a chance de a doença se agravar e duplica os óbitos em relação ao grupo que não fuma”, alerta Maltoni.

Segundo a OMS, o hábito de fumar aumenta a chance de óbitos em infecção pelo novo coronavírus (Foto: reprodução/ The Verge)

Além disso, um grupo de especialistas em saúde pública, convidado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), analisou estudos já publicados sobre a COVID-19 e a sua relação com o hábito de fumar. A conclusão foi de que fumantes tinham uma maior probabilidade de desenvolver formas mais graves da doença, em comparação com os não fumantes, “inclusive em proporção maior de óbitos do que o grupo de não fumantes”, afirma Maltoni.

Narguilé e cigarros eletrônicos

Há uma relação muito forte do tabagismo com o agravamento das condições dos pacientes que se infectam pelo novo coronavírus, como o aumento maior da letalidade. Fora esses riscos relacionados ao hábito de fumar, o diretor-executivo da Fundação do Câncer também chama a atenção para o fato de o vírus se disseminar com facilidade, através de gotículas contaminadas de saliva.

Em outras palavras, nem pense em compartilhar, por exemplo, um narguilé. “É um mecanismo de disseminação do vírus muito alto, a ponto de países como o Irã proibirem seu uso em bares e ruas pela possibilidade de propagação, porque passa de boca em boca. Também é uma associação muito perigosa”, destaca Maltoni. O mesmo problema ocorre em relação ao uso dos cigarros eletrônicos.

Nicotina X COVID-19

Publicado no final de abril, um estudo realizado com 480 pacientes que tiveram resultados positivos para a COVID-19 em um hospital de Paris, na França, sugeria que a nicotina poderia trazer um efeito preventivo contra a infecção respiratória. No entanto, essa possibilidade é amplamente questionada pela comunidade científica.

A OMS também se posicionou contrária a estudos favoráveis à adoção de substâncias como a nicotina no tratamento de pacientes infectados pelo novo coronavírus. Embora sem se referir especificamente a um trabalho francês que defende a nicotina como proteção à COVID-19, a organização alerta cautela em adotar esse tipo de recomendação, antes que sejam confirmados e checados os bons resultados.

Sobre o caso do trabalho francês, Luiz Augusto Maltoni observa que foi publicado na internet e não em uma revista científica conceituada, como é tradicionalmente feito, onde um comitê editorial analisa cientificamente se o método da pesquisa foi bem conduzido. O diretor-executivo da Fundação do Câncer é ainda mais direto e qualifica o estudo como “um equívoco imenso”. 

Em razão da pesquisa francesa, sete entidades médicas, entre as quais a Fundação do Câncer, a Associação Médica Brasileira, a Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas e a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia divulgaram nota, onde entendem que “é muito precoce e arriscado” afirmar que haja qualquer potencial fator protetor da nicotina para a COVID-19. “Uma vez contaminados pelo novo coronavírus, os fumantes tendem a ter pior evolução do quadro, com mais gravidade e mortes”, diz a nota.

Fonte: Agência Brasil

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