Vírus de Marburg, semelhante ao ebola, causa primeiro óbito em Guiné

Vírus de Marburg, semelhante ao ebola, causa primeiro óbito em Guiné

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 10 de Agosto de 2021 às 15h30
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Além do coronavírus SARS-CoV-2, a humanidade está enfrentando uma nova onda de vírus emergentes e, potencialmente, perigosos. Nesta semana, autoridades de saúde da Guiné — país localizado na África Ocidental — confirmaram um óbito causado pelo vírus de Marburg (MRV). Este agente infeccioso é conhecido por desencadear uma febre hemorrágica altamente infecciosa, semelhante ao Ebola. Este foi o primeiro caso do vírus mortal identificado na região.

Desde 1967, 12 grandes surtos de Marburg foram registrados no globo, principalmente no sul e no leste do continente africano. Já o novo caso de MRV foi identificado na semana passada, apenas dois meses depois que o país foi declarado livre do Ebola. No começo deste ano, um surto matou 12 pessoas na região.

Transmitido por morcegos contaminados, pessoa morre em Guiné com o vírus de Marburg (Imagem: Reprodução/Byrdyak/Freepik)

Segundo informações da Organização Mundial de Saúde (OMS), o paciente procurou tratamento em uma clínica local, mas a condição de sua saúde começou a piorar rapidamente até o falecimento. Posteriormente, pesquisadores do laboratório de febre hemorrágica da Guiné e do Instituto Pasteur, no Senegal, confirmaram o diagnóstico da infecção pelo vírus, considerado raro.

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Entendendo o vírus de Marburg

Segundo a OMS, a doença do vírus de Marburg é altamente contagiosa e a taxa de mortalidade da infecção é de 88%. Os primeiros casos desta doença foram identificados em dois grandes surtos, que ocorreram de forma paralela, em 1967. Os relatos surgiram, inicialmente, na Alemanha, mais especificamente nas cidades de Frankfurt e Marburgo — que mais tarde deu origem ao nome da doença —, e na cidade de Belgrado, na Sérvia.

"O surto foi associado a estudos, em laboratório, com macacos verdes africanos (Cercopithecus aethiops), importados de Uganda. Posteriormente, surtos e casos esporádicos foram relatados em Angola, República Democrática do Congo, Quênia, África do Sul (em uma pessoa com história recente de viagens ao Zimbábue) e Uganda. Em 2008, dois casos independentes foram relatados em viajantes que visitaram uma caverna habitada por colônias de morcegos Rousettus, na Uganda", descreve a OMS sobre a trajetória do vírus.

Para o contágio humano em ambiente natural, é necessário que um indivíduo fique, durante longos períodos, em minas ou cavernas habitadas por colônias de morcegos Rousettus aegyptiacus. Depois que um indivíduo é infectado com o vírus, o MRV pode se espalhar através da transmissão de pessoa para pessoa por contato direto — através de pele rachada ou membranas mucosas, por exemplo — com o sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas.

Também é possível transmissão ocorra através de superfícies e materiais contaminados com esses fluidos, como roupas de cama. Além disso, o período de encubação da doença pode varia de dois até 21 dias, segundo a OMS.

Para o farmacêutico e doutorando em biotecnologia Wasim Syed, ainda não contamos com medicamentos ou vacinas capazes de neutralizar o vírus. Muito menos sabemos se novos surtos ocorrerão, nem quando.

Mais um vírus? É o fim dos tempos?

A biomédica e coordenadora da Rede Análise COVID-19, Mellanie Fontes Dutra, vem comentando nas redes sociais sobre a importância de considerarmos riscos na hora de invadir habitats naturais de animais selvagens.

"Nossa relação com o planeta e seus ecossistemas precisa ser revista e mesmo sendo uma conversa totalmente inconveniente, ela está atrasadíssima de tão necessária que é", pontua a pesquisadora Dutra sobre os casos de reaparecimento de novos vírus. O lado positivo é que, desta vez, os surtos de MRV são, historicamente, menores e melhores controlados que os de Ebola.

No entanto, isso não significa que não há riscos. "O potencial para o MRV se espalhar por toda a parte significa que precisamos detê-lo em suas trilhas", defendeu o diretor regional da OMS para a África, Matshidiso Moeti, em comunicado. “Estamos trabalhando com as autoridades de saúde para implementar uma resposta rápida que se baseie na experiência e expertise anteriores da Guiné no manejo do Ebola, que é transmitido de forma semelhante”, completou.

Fonte: Com informações: OMS e Perth Now   

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