Variante do coronavírus que chegou na Copa América é mais transmissível; entenda

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 14 de Julho de 2021 às 12h12
Photocreo/Envato Elements

Identificada pela primeira vez na Colômbia, a variante B.1.621 do coronavírus SARS-CoV-2 chegou oficialmente ao Brasil através da Copa América. De acordo com as autoridades da saúde brasileira, dois homens, de 37 e 47 anos, que integravam as delegações do Equador e da Colômbia, testaram positivo para a COVID-19. Em exames detalhados, verificou-se a nova cepa, considerada mais transmissível.

Inicialmente, os dois casos da variante colombiana foram diagnosticados em Cuiabá, no Mato Grosso, pelo Laboratório Central do Mato Grosso (Lacen-MT). Depois, análise genética no Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, confirmou que ambos traziam a variante inédita do coronavírus para o país.

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Variante colombiana do coronavírus é considerada mais transmissível e já chegou ao Brasil (Imagem: Ktsimage/Envato)

Variante da Colômbia no mundo

A variante B.1.621 foi identificada pela primeira vez em janeiro deste ano, na Colômbia e, desde então, a cepa do coronavírus se espalhou por pelo menos 19 países. Fora do país de origem, os maiores números de casos da COVID-19 relacionados a essa variante estão nos Estados Unidos, na Espanha, no México e na Holanda.

Quanto ao rastreamento do coronavírus, a variante colombiana do coronavírus integra apenas a "lista de alerta" da Organização Mundial da Saúde (OMS), ou seja, ela ainda precisa ser melhor monitorada e estudada para que se chegue a um consenso dos seus riscos para a saúde pública global. Até o momento, ela ainda não recebeu o nome de uma letra do alfabeto grego, como a Gama (P.1) ou a Delta (B.1.671.2).

Mutações da nova variante

No entanto, cientistas já apontam algumas de suas características, baseadas nas mutações que a nova variante acumula. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) da Europa, a cepa carrega ao menos cinco mutações na proteína S (spike) do coronavírus.

Desse total de mutações, quatro delas (E484K, N501Y, D614G e P681H) já foram observadas em outras variantes de preocupação (VOCs), como a Alfa (B.1.1.7), a Beta (B.1.351), a Gama e a Delta. Isso configura uma maior transmissibilidade. Por outro lado, a mutação R346K é inédita, segundo os bancos de dados sobre a COVID-19. Dessa forma, é difícil prever como essa característica genética pode afetar sua capacidade de ação.

Para o CDC, a nova variante poderia diminuir a imunidade obtida de pessoas que se recuperaram da infecção ou daquelas que se vacinaram, como já foi observado em outras variantes. Independente disso, o que se observa é uma provável diminuição, ou seja, ela continua a existir, mas em níveis menores e, às vezes, pouco significativos.

Segundo o virologista Fernando Spilki, professor da Universidade Feevale, não há motivo para pânico com a descoberta de casos isolados da variante. "São poucos os casos reportados no Brasil. É claro que ela deve ser monitorada, mas os dados da Colômbia e de outros países não indicam uma maior agressividade, apesar da elevação do número de casos em algumas regiões", comentou Spilki, durante entrevista para a BBC. "Também não temos dados sobre um possível escape dessa nova variante às vacinas já disponíveis", completa.

Fonte: BBC e OMS   

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