Variante Delta não causa febre nem tosse? Veja mitos e verdades sobre ela!

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 15 de Julho de 2021 às 16h23
Polina Tankilevitch/ Pexels

Identificada pela primeira vez na Índia, a variante Delta (B.1.671.2) do coronavírus SARS-CoV-2 é responsável por uma alta de novos casos da COVID-19 nos países onde chega, como no Reino Unido. Com autoridades brasileiras confirmando a transmissão comunitária desta cepa — como é o caso da cidade de São Paulo —, a apreensão e as fake news começam a se proliferar nas redes sociais. Agora, discute-se quais sintomas ela poderia ou não causar, como febre e perda de olfato.

No WhatsApp, circula um texto falsamente atribuído ao Grupo Unimed, por exemplo, onde está escrito que a variante Delta do coronavírus não causa febre e nem tosse. Além disso, essa variante não é identificada nos exames da COVID-19 e que é mais mortal, já que afeta diretamente os pulmões. No entanto, o texto está repleto de, no mínimo, informações incompletas.

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Fake news sobre a variante Delta (Imagem: Reprodução/Agência Lupa)

Quais são os sintomas da variante Delta do coronavírus?

De fato, um estudo de monitoramento da COVID-19 realizado no Reino Unido — onde ela já é predominante e representa 90% das novas infecções — identificou que os pacientes infectados apresentam menos sintomas "normais" da COVID-19, como perda de olfato e tosse. No entanto, isso é diferente de afirmar que os sintomas não existem mais.

Atualmente, a perda do olfato chegou a deixar a lista dos dez sintomas mais frequentes do coronavírus entre os britânicos, segundo dados do Zoe Covid Symptom. Agora, dor de cabeça, dor de garganta, coriza e febre se tornaram os principais sintomas reportados. Em entrevista para a BBC, o epidemiologista Tim Spector, associou essas mudanças ao crescimento da circulação da variante Delta no país. No entanto, esta é apenas uma hipótese de mudança no comportamento do coronavírus.

Isso porque “é esperado que, na evolução dos vírus, eles se tornem menos sintomáticos, mas cada vez mais transmissíveis”, comentou o infectologista Alexandre Naime Barbosa, chefe da Infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), para a Agência Lupa.

Não aparece nos exames e chega direto ao pulmão?

Após infecção da variante Delta, paciente pode relatar mais dor de cabeça e febre do que perda de olfato (Imagem: Reprodução/Twenty20photos/Envato)

Até o momento, não existe nenhum indício de que a variante Delta favoreça “falsos negativos” nos exames que verificam a infecção. Além disso, é importante explicar que nenhuma variante do coronavírus pode atacar os pulmões diretamente, porque esta não é a porta de entrada do agente infeccioso no organismo.

O processo de infecção, necessariamente, começa pelo nariz, boca e vias áreas. “Ao receber o vírus pelo nariz, boca ou olho, ele passa a se replicar e começa a infecção das vias aéreas superiores. Na fase dois ele pode, literalmente, descer para os pulmões. Mas não existe uma infecção direta dos pulmões, é impossível”, explicou Barbosa.

Realmente, é mais transmissível

O consenso da comunidade científica é de que a variante Delta é mais transmissível do que as outras cepas do coronavírus. Inclusive, ela pode ter uma capacidade de transmissão 97% maior que o vírus sem mutações, segundo relatório feito por cientistas ligados à Organização Mundial da Saúde (OMS).

No entanto, não é possível afirmar que a variante Delta seja mais mortal. “Tanto a [variante] Alfa [B.1.1.7] quanto a Beta [B.1.351] e a Gama [P.1] são mais virulentas, ou seja, se transmitem mais, mas isso não significa que sejam mais mortais. Não existem estudos que permitam dizer que pacientes com a variante Delta vão evoluir melhor ou pior”, apontou Barbosa.

Independente de qual mutação ela contenha, evitar aglomerações, manter o distanciamento social, usar máscara e lavar as mãos com frequência continuam a ser medidas importantes para evitar a transmissão do agente infeccioso. Inclusive, valem para a variante Delta.

Fonte: Agência Lupa e BBC   

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