Vacinas contra COVID-19 não causam perda auditiva, aponta estudo

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 21 de Maio de 2021 às 15h40
Diana Polekhina/Unsplash

Quando uma vacina é aprovada e aplicada em milhões de pessoas, novos efeitos adversos podem, eventualmente, aparecer. Por isso, é tão importante que a imunização contra o coronavírus SARS-CoV-2 seja acompanhada, de perto, pelas agências reguladoras — como já aconteceu com os casos de trombose.  Agora, pesquisadores investigam a relação dos imunizantes contra a COVID-19 com a perda de audição súbita. Ambas situações apontaram para a segurança das fórmulas.

Após 147 eventos de perda auditiva serem relatados nos Estados Unidos entre dezembro de 2020 e março deste ano, médicos da Universidade Johns Hopkins investigaram cada um dos relatos. Em comum, os pacientes relataram a condição que tende a ser temporária após a aplicação de uma dose da vacina da Pfizer/BioNTech ou da Moderna. No mesmo intervalo de tempo, o país aplicou mais de 86,5 milhões de doses de imunizantes.

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Pesquisa não encontra relação entre vacina contra a COVID-19 e perda temporária de audição (Imagem: Reprodução/Ali Raza/Pixabay)

Em uma avaliação mais atenta dos relatórios sobre o efeito adverso, os pesquisadores determinaram que apenas 40 desses casos eram confiáveis. Isso significa que foram confirmados por um médico e havia alguma documentação comprovando a surdez súbita. Desse número, 25 eram mulheres e 15 eram homens, variando entre 25 e 88 anos. 

Ainda sobre esses dados, 28 dos que relataram a suposta reação adversa receberam a vacina da Pfizer/BioNTech e apenas 12 a da Moderna. Vale destacar que nenhum dos casos foi associado com a fórmula da Janssen, da Johnson & Johnson. Isso porque ela fora autorizada poucos dias antes do término da janela considerada pelo estudo.

O que é perda auditiva súbita?

Oficialmente, a condição é conhecida como perda auditiva neurossensorial súbita (PANS). Ela é definida como uma perda repentina da capacidade de escutar, sem uma explicação e que ocorre em um período de 72h. Normalmente, afeta apenas um ouvido e a audição tende a voltar sozinha. 

Nos EUA, a taxa anual de novos casos da condição para cada 100 mil pessoas oscila de 20 até 120. Além disso, a PANS pode ser desencadeada por uma série de fatores, como casos de traumatismo craniano, infecções, alguns medicamentos, doenças autoimunes ou problemas de circulação. Na maioria dos casos, o paciente não identifica a causa real da perda temporária de audição.

Afinal, as vacinas contra a COVID-19 podem desencadear algum tipo de surdez?

No estudo, o grupo de pesquisadores concluiu que as vacinas contra a COVID-19 não foram responsáveis pela perda de audição. No relatório publicado na revista científica JAMA Otolaryngology-Head and Neck Surgery, os médicos esclarecem que os casos foram apenas coincidência.

Os dados encontrados "sugerem que não existe associação entre a aplicação de uma vacina de RNA mensageiro [mRNA] contra a SARS-CoV-2 e a perda auditiva súbita", afirmam na publicação. “Esperamos que essas descobertas tranquilizem os médicos e pacientes para receber todas as doses programadas da vacinação, conforme recomendado pelas diretrizes atuais de saúde pública”, completam os médicos responsáveis.

Em 2016, a condição foi associada erroneamente com as vacinas contra a influenza (gripe) no país. No entanto, um outro estudo norte-americano também não conseguiu detectar uma ligação entre a doença e as vacinas contra a gripe.

Para conferir o estudo completo, publicado na JAMA Otolaryngology-Head and Neck Surgery, clique aqui.

Fonte: Los Angeles Times  

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