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"Vacina de xixi": por que injetar urina no seu organismo é muito perigoso?

Por| Editado por Luciana Zaramela | 21 de Abril de 2022 às 15h40

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RossHelen/Envato Elements
RossHelen/Envato Elements

Por mais estranho que possa parecer, é importante avisar que injetar urina dentro do organismo, através de uma seringa, pode ser altamente arriscado. Dependendo das circunstâncias e da falta de atendimento médico, o paciente pode morrer. Em outras palavras, nunca tome e sempre recuse uma "vacina de xixi".

Apesar dos riscos envolvidos, algumas correntes de pensamento e alguns indivíduos acreditam que possam se beneficiar do consumo de urina como uma prática saudável — e não estamos falando de um fetiche pontual ou algo do tipo.

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Dá para beber xixi?

Dando um passo para trás no assunto das injeções de urina, algumas pessoas adotam como prática a ingestão diária de xixi. Por exemplo, "beber a própria urina pela manhã ('amaroli') é uma prática tradicional [de algumas vertentes] do yoga, assim como a medicina Siddha, um ramo da medicina complementar e alternativa ensinada oficialmente em algumas universidades médicas indianas", relatam os médicos do Hospital e Instituto de Pesquisa Sri Gokulam, na Índia.

No começo deste ano, uma outra história envolvendo o consumo de urina viralizou nas redes sociais. Na ocasião, um membro de um grupo antivacina dos Estados Unidos sugeriu que beber o próprio xixi era o melhor antídoto contra a covid-19, o que é uma mentira. Mesmo assim ele tomava e incentivava os outros a fazerem o mesmo.

No entanto, “não há estudos de qualquer tipo de qualidade para mostrar que beber a própria urina ou a de outra pessoa tem um benefício médico”, explica William Schaffner, médico da Universidade Vanderbilt, nos EUA, para o site The Daily Beast.

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Apesar da tradição e de correntes de fake news, faltam evidências científicas sobre os seus benefícios. Isso porque produtos residuais podem ser bastante prejudiciais a sua saúde e os riscos aumentam quando são injetados, segundo os pesquisadores indianos.

O que acontece ao injetar urina no seu organismo?

Publicado na revista científica The Journal of Global Infectious Diseases, um relato de caso dos médicos indianos detalhou o que pode acontecer com uma pessoa que injeta urina no próprio organismo, como se fosse uma vacina. Spoiler da história: o paciente quase morreu por causa da sepse, também conhecida como infecção generalizada.

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Vale explicar que a sepse é considerada a maior causa de morte nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), chegando a corresponder a 65% dos casos de óbito no Brasil, por exemplo. A condição é associada aos esforços do organismo em lutar contra um agente externo e, neste processo, gera uma resposta inflamatória que pode afetar inúmeros órgãos.

Entenda o caso do paciente indiano

No incidente indiano, um homem, de 38 anos, estava inconsciente, quando foi levado ao hospital. Anteriormente, tinha sofrido duas convulsões em um intervalo de 30 minutos. Além disso, o acompanhante relatou que o indivíduo apresentava febre e calafrios. Em nenhum momento, foi esclarecido que o quadro iniciou após uma injeção de urina.

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Naquele momento, a equipe médica sabia que "o paciente não tinha histórico prévio de convulsões, traumatismo craniano ou qualquer outra doença, e não estava em uso regular de medicamentos ou drogas ilícitas", explicam os autores do relato de caso. Inclusive, exames de sangue e de urina testaram negativo para a presença de qualquer droga.

Por causa do quadro de sepse, o paciente precisou ser internado. Para aliviar o quadro, ele foi medicado com "anticonvulsivantes e antibióticos intravenosos de amplo espectro na Unidade de Terapia Intensiva (UTI)", segundo os médicos. O quadro somente foi estabilizado após as primeiras 48 horas do tratamento. No entanto,"a sepse começou a diminuir gradualmente e o paciente recebeu alta no décimo segundo dia", detalham.

"No décimo primeiro dia, ele confessou que coletou sua urina em um recipiente e injetou cerca de 10 ml de urina por via intravenosa para maximizar sua vitalidade e potência, pois havia desenvolvido náuseas e vômitos duas vezes depois de beber sua urina por via oral", contam os médicos sobre a descoberta do real motivo que levou o paciente a ser internado.

A aplicação da "vacina de xixi", segundo a equipe, levou o paciente a desenvolver uma sepse polimicrobiana, encefalopatia tóxica e choque séptico com disfunção de múltiplos órgãos. Por isso, vale reforçar que injeções do tipo não devem ser aplicadas em nenhuma hipótese e a possíveis causas não devem ser escondidas dos profissionais de saúde.

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Fonte: The Journal of Global Infectious Diseases, The Daily Beast e Pfizer