Aparelho da UERJ pode detectar carga de coronavírus no ambiente

Por Fidel Forato | 01 de Julho de 2020 às 13h18
Tânia Rêgo/Agência Brasil

No combate à COVID-19, cientistas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) desenvolveram um aparelho móvel e de baixo custo que mapeia a carga viral do novo coronavírus (SARS-CoV-2) no meio-ambiente. Batizado de Coronatrack, o dispositivo portátil foi criado pelas equipes do Laboratório de Radioecologia e Mudanças Globais (Laramg).

A ideia da invenção é que o aparelho possibilite o próprio usuário a monitorar a carga viral dos locais por onde costuma circular, como a frente de uma casa ou de um negócio. Segundo as informações divulgadas pela UERJ, o protótipo do Coronatrack custou R$ 200, enquanto modelos importados, que funcionam de forma similar, custam em média R$ 4 mil.

Equipamento portátil da Uerj aponta para presença do novo coronavírus no ar (Imagem: divulgação/Uerj)

Como funciona?

“Ele [o equipamento] tem uma mini-bomba de ar, que você coloca numa caixinha presa no seu cinto. É ligado em uma mangueira que vai presa na sua gola, crachá ou bolso. Nessa extremidade o sistema captura o vírus, quando ligo a bomba ele vai aspirar o ar em volta de você. Ele vai concentrando o vírus e no fim do expediente aquele material com o vírus acumulado é levado ao laboratório para ser analisado”, explica o professor de Biofísica na Uerj, Heitor Evangelista.

De acordo com o professor Evangelista, esse sistema é similar ao utilizado na mineração para monitorar partículas de poeira no ar, durante uma escavação. "Fizemos algumas modificações nesse equipamento para ser mais eficiente para o vírus. O vírus está ligado às partículas no ar, ele não fica livre, ele se agrega às partículas que já estavam no ar e você inala tudo junto”, completa o pesquisador sobre o funcionamento.

Pelas facilidades, “esse equipamento pode ser usado em qualquer circunstância, onde tem um trabalhador ou um usuário num ambiente em que circulam várias pessoas. Uma loja, uma academia, se reabrir um cinema, uma escola, qualquer lugar. Tudo isso pode ser feito porque ele é portátil e individual”, explica Evangelista, um dos desenvolvedores.

Dessa forma, é possível mapear a concentração de vírus na cidade, através de amostras de ar colhidas em determinados locais e trajetos, como a porta de hospitais. Hoje, um protótipo também é utilizado no Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), da UERJ. 

Melhores parâmetros

O aparelho da UERJ também pode ser utilizado para solucionar as questões da subnotificação de casos do novo coronavírus. Isso porque os cientistas e autoridades de saúde teriam uma melhor noção sobre as regiões mais perigosas para a COVID-19, a partir das medições do aparelho. Assim, poderiam intensificar testes em determinado local e ampliar medidas de isolamento de forma localizada.

“A subnotificação se dá porque você não consegue medir individualmente as pessoas. Com esse sistema, ao invés de medir individualmente as pessoas, você monitora uma área. Isso pode dar uma luz maior sobre essa questão”, afirma Evangelista. 

“Esse sistema tem um GPS, então ele coloca o trajeto georreferenciado, aí, vou medir aquele filtro e vou saber a carga viral daquele trajeto. Se tiver 200 aparelhinhos desses, conseguimos mapear o Rio de Janeiro, e com isso podemos saber em que áreas temos uma maior carga viral no ar do que outros lugares”, explica o professor.

Em pesquisa, o Coronatrack se mostrou eficiente nos primeiros testes e a equipe da UERJ já está trabalhando no registro de uma patente para fins comerciais. Agora, os pesquisadores estão em busca apoio do poder público ou da iniciativa privada para desenvolver a produção em larga escala.

Fonte: Agência Brasil

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