Vacina a caminho? Gigantes Sanofi e GSK unem forças contra a COVID-19

Por Claudio Yuge | 17 de Abril de 2020 às 17h50
Tania Rego\Agencia Brasil

Duas das maiores fabricantes de vacina do mundo, a francesa Sanofi e a britânica GlaxoSmithKline (GSK), assinaram nesta semana uma parceria para encontrar a imunização contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2). A primeira fornece uma candidata experimental, enquanto a segunda entra com os chamados adjuvantes, ingredientes adicionais que melhoram a eficácia e facilitam a produção em larga escala.

Os testes em humanos devem começar no segundo semestre deste ano, com a expectativa de que uma resposta eficaz contra a COVID-19 esteja pronta até o final de 2021, caso todas as fases de avaliações, aprovações e revisões forem bem-sucedidas. “As vacinas são essenciais para o plano de saída de que o mundo precisa. Se formos bem-sucedidos, poderemos fazer centenas de milhões de doses anualmente até o final do próximo ano”, projeta Emma Walmsley, diretora-executiva da GSK

Fachada da GDK em Londres (Reprodução/Wikimedia Commons)

A Sanofi vem usando sua experiência com a versão anterior do coronavírus, a SARS, para acelerar os esforços. Desde fevereiro ela vem atuando ao lado da Autoridade de Pesquisa e Desenvolvimento Avançado Biomédico (BARDA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, agência governamental que financia esforços de pesquisa e desenvolvimento para ameaças à saúde.

Se tudo der certo, a GSK poderá fabricar o adjuvante em locais no Reino Unido, Europa e Estados Unidos. A companhia também se comprometeu a reinvestir qualquer lucro de curto prazo em pesquisas mais avançadas, como preparação para uma nova pandemia da própria COVID-19.

Empresas se unem em “força-tarefa”

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente há 70 vacinas em desenvolvimento e três realizam testes clínicos ainda este mês — uma na China e duas nos Estados Unidos. Os esforços reúnem dezenas de empresa, a exemplo da Moderna e da Johnson & Johnson, ao lado de universidades. A meta é conseguir uma resposta eficiente entre 12 e 18 meses — uma velocidade sem precedentes na área farmacêutica, pois antes esse processo levava anos. E a união de todos esses grupos é muito importante, pois uma das maiores preocupações é conseguir atender à demanda global.

"Esse é um desafio global de proporções épicas. O mundo precisará de mais de uma vacina”, comenta Emma. A Johnson & Johnson adiantou no mês passado que levantaria mais de US$ 1 bilhão junto ao governo dos Estados Unidos para acelerar o processo e aumentar sua capacidade de fabricação para um bilhão de doses. A empresa espera ter alguns lotes emergenciais prontos a partir de janeiro.

Uma das unidades da Sanofi (Reprodução/Glassdoor)

A GSK firmou um importante pacto com a Coalition for Epidemic Preparedness Innovations, fundação que recebe doações de organizações para financiar projetos de pesquisa no desenvolvimento de vacinas contra doenças infecciosas emergentes. A gigante britânica prometeu compartilhar seu conhecimento com outros desenvolvedores de vacinas, começando pela Universidade de Queensland, na Austrália, e até agora já se aliou a sete parceiros no combate ao novo coronavírus.

Adjuvantes produzidos pela GSK são adicionados a algumas vacinas para melhorar a resposta imune e criar uma proteção mais forte. Eles podem reduzir a quantidade de proteína por dose, aumentando a probabilidade de uma injeção ser produzida em grandes quantidades. Além disso, a GSK e a Sanofi se comprometeram a tornar acessíveis os resultados bem-sucedidos com todo o mundo.

Fonte: Bloomberg  

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