USP cria teste que detecta anticorpos para COVID-19 em 10 minutos

Por Nathan Vieira | 24 de Janeiro de 2021 às 19h30
Fernando Zhiminaicela/Pixabay

Uma das medidas mais importantes para controlar a disseminação do novo coronavírus (SARS-CoV-2) é identificar, de maneira rápida e segura, casos da COVID-19, evitando a propagação da doença. Com isso em mente, pesquisadores do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC) e da startup paulistana Biolinker desenvolveram um teste capaz de detectar anticorpos contra o novo coronavírus em apenas 10 minutos

O dispositivo é parecido com testes rápidos já disponíveis nas farmácias. Funciona da seguinte maneira: ao analisar uma gota de sangue do usuário, identifica a presença de anticorpos do tipo imunoglobulina G (IgG), produzidos ainda na fase aguda da COVID-19. Assim, duas bolinhas avermelhadas aparecem no leitor.

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“Quanto mais anticorpos há no sangue, mais forte é o tom de vermelho das bolinhas. Por esse motivo, acreditamos que o teste também poderá ser usado para monitorar a resposta da população às vacinas. Sabemos que nem todo mundo desenvolve imunidade protetora após se vacinar e também que o nível de anticorpos diminui com o tempo”, explicou o coordenador do estudo, o professor Frank Crespilho, durante entrevista à Agência Fapesp. 

Na ocasião, o professor do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo também faz uma estimava de que o teste poderá ser vendido por cerca de R$ 30 assim que o registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) for obtido. “Nós conjugamos uma nanopartícula de ouro [que dá a cor avermelhada às bolinhas] a um pedaço da proteína spike do SARS-CoV-2, que é reconhecido pelos anticorpos humanos. Esse bioconjugado é aproximadamente 1 milhão de vezes menor do que um fio de cabelo”, acrescentou o coordenador.

Cientistas desenvolvem teste que detecta anticorpos para COVID-19 em 10 minutos (Imagem: Reprodução/Agência Fapesp)

Os pesquisadores da Biolinker produziram em laboratório apenas a ponta da proteína viral, região conhecida como RBD (sigla em inglês para domínio de ligação ao receptor). Além disso, foi usada uma tecnologia conhecida como DNA recombinante, que consiste em usar bactérias geneticamente modificadas para expressar a proteína viral in vitro.

A ideia por trás dessa invenção é justamente ampliar a testagem no país, tornando-a mais acessível às populações de baixa renda e possibilitando a análise em massa da população a um custo bem mais competitivo e viável para a nossa realidade econômica. No entanto, o grupo ainda está testando a eficácia. O objetivo é produzir cerca de 500 unidades, que serão testadas em amostras de pacientes atendidos na Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Fonte: Agência Fapesp

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