Unicamp desenvolve novo teste que identifica o coronavírus a partir de fungos

Por Fidel Forato | 05 de Agosto de 2020 às 14h15
Inova/Unicamp

Para controlar o novo coronavírus (SARS-CoV-2), a Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta a testagem, em massa, de casos suspeitos da COVID-19 para que se evite a transmissão descontrolada do vírus. Para isso, pesquisadores brasileiros desenvolveram um novo tipo de teste rápido para doença que usa como base alterações causadas em fungos, mais especificamente as leveduras.

Segundo os cientistas do Laboratório de Genômica e bioEnergia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é possível relacionar alterações nas cores das leveduras — organismos unicelulares muito usados para a fabricação de iguarias fermentadas, como pão e vinho — com a presença do novo coronavírus em uma amostra salivar ou da nasofaringe do paciente. Nesse caso, uma tonalidade avermelhada confirmaria a infecção.

A partir de um fungo, novo teste para COVID-19 da Unicamp identifica presença do novo coronavírus em amostras (Imagem: Gerd Altmann / Pixabay )

Com a promessa de ser mais acessível, esse novo modelo de teste foi chamado pelos pesquisadores da Unicamp de Coronayeast (que é a junção do nome do vírus com o do fungo, em inglês). Agora, a equipe aguarda a patente da invenção, enquanto busca financiamento de R$ 500 mil a R$ 1 milhão para disponibilizar o produto no mercado em, no máximo, seis meses.

Entenda o teste

No desenvolvimento do projeto, os pesquisadores inseriram na levedura um gene que facilita a entrada do novo coronavírus nas células humanas, a proteína humana ACE-2. No caso de uma amostra contaminada, após um período de incubação, um hormônio associado passa a ser abundante no local e, dessa forma, são ativados genes que tornam a levedura vermelha e fluorescente. 

Segundo o professor da Unicamp, Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, que participa do projeto, esse novo exame seria barato e, como não é invasivo, pode ser aplicado inúmeras vezes, até mesmo pelos próprios pacientes. Quanto aos custos, a expectativa é de que a produção seja até 100 vezes mais em acessível do que de testes RT-PCR, que também usam amostras da nasofaringe para o exame da COVID-19. Isso porque eles se baseiam em métodos que dependem de insumos enzimáticos com preços mais elevados e que precisam ser importados.

Mais pesquisas

Mesmo que o teste tenha identificado o coronavírus, os cientistas ainda investigam o tempo mínimo para se chegar a um diagnóstico conclusivo da infecção. Por enquanto, foi notado que a coloração vermelha é percebida na levedura em no máximo 4h. Caso o vírus não esteja presente, a levedura deve manter a sua a cor natural, que é bege-amarelada. Outro desafio é entender a partir de quando o exame passa a identificar a doença.

Segundo os pesquisadores do estudo, o Coronayeast é considerado como o primeiro biossensor de levedura para detecção de vírus. Depois de concluído o projeto para o novo coronavírus, a meta é usar a mesma tecnologia para detecção de outras doenças, aperfeiçoando as aplicações desse conhecimento.

Fonte: Estadão e Inova  

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