Tudo o que sabemos sobre o soro do Butantan contra a COVID-19

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 31 de Maio de 2021 às 14h20
Felipecaparros/Envato Elements

Responsável por estudos e pela produção da vacina CoronaVac no Brasil, o Instituto Butantan também lidera uma outra iniciativa contra a COVID-19, os estudos com o soro hiperimune anti-Sars-CoV-2. Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária concedeu autorização para o início dos testes de segurança e eficácia do soro para combater a evolução da infecção em humanos.

Para os estudos clínicos, o Butantan conta com três mil frascos de soro que já foram anteriormente produzidos. Caso a fórmula intervenosa demonstre resultados positivos em humanos, a terapia poderá ser usada para tratar pacientes que já estejam infectados e apresentam sintomas da COVID-19, desde que aprovada para este fim pela Anvisa.

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Butantan possuí 3 mil frascos de soro anti-COVID para testes em humanos da terapia (Imagem: Reprodução/Felipecaparros/Envato Elements)

Como funciona o soro do Butantan contra a COVID-19

Vale explicar que este soro foi produzido a partir da inoculação do coronavírus inativo em cavalos. Com a invasão do agente infeccioso, o corpo do animal reage ao microrganismo e produz anticorpos para combater a infecção da COVID-19. Em seguida, o sangue (plasma) dos equinos é coletado e os anticorpos produzidos são isolados e processados, compondo uma espécie de medicamento.

Em paralelo, os pesquisadores do Butantan inocularam o coronavírus em coelhos e camundongos, como parte do experimento. Depois estes animais receberam o soro hiperimune anti-Sars-CoV-2 e a resposta a essa infecção foi acompanhada. "Os animais que foram tratados tiveram o pulmão protegido, ou seja, não desenvolveram a forma fatal da infecção pelo coronavírus, mostrando que os resultados de estudos em animais são extremamente promissores", afirmou o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas.

Soro contra o coronavírus já demonstrou eficácia em camundongos e coelhos (Imagem: Reprodução/Twenty20photos/Envato Elements)

Além disso, na etapa com os animais, a terapia demonstrou diminuição da carga viral e perfil inflamatório reduzido nas cobaias do estudo preliminar. Outra descoberta é que os animais apresentaram preservação da estrutura pulmonar. Estes esforços de pesquisa são liderados pelo infectologista Esper Kallas, da Universidade de São Paulo, e pelo nefrologista José Medina, que integram o Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo.

Como serão os testes com humanos do soro do Butantan?

Agora, os estudos clínicos serão realizados em parceria com o Hospital do Rim e Hipertensão e com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Neste caso, os primeiros voluntários serão pacientes transplantados do Hospital do Rim e pacientes com comorbidades no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Respectivamente, as pesquisas serão lideradas por José Medina e pelo Esper Kallas.

No primeiro momento, o soro hiperimune anti-Sars-CoV-2 deverá ser aplicado apenas em pacientes com infecção recente ou com alto risco de agravamento da infecção causada pelo coronavírus. Isso porque o objetivo é calcular a eficácia, a segurança e a dose ideal do novo tratamento. Por sua vez, este deve impedir a evolução do quadro. Concluídos os testes, os dados obtidos serão enviados para a Anvisa e a agência avaliará se a terapia poderá ser adotada no tratamento de pessoas com a COVID-19.

Anticorpos contra o coronavírus são produzidos em cavalos para o soro do Butantan (Imagem: Reprodução/Mathias P.R. Reding/Unsplash)

Butantan investe em nova fábrica para produção de soros

É importante ressaltar que a instituição desenvolve há anos diferentes tipos de soros para o tratamento humano. Inclusive, foram inciadas obras de R$ 34,5 milhões para a construção de uma nova fábrica específica para este tipo de produto, na qual será possível elaborar inclusive soros em pó — o que não será, ao menos inicialmente, o caso para a fórmula contra a COVID-19.

No Centro Avançado de Produção de Soros de 6,6 mil metros quadrados e com previsão de entrega em 2023, será possível produzir todos os 12 tipos de soros que o instituto fornece ao Ministério da Saúde. Eles vão desde fórmulas contra toxinas de animais peçonhentos e micro-organismos até o que poderá também ser o caso do soro hiperimune anti-SARS-CoV-2.

Segundo o Butantan, a fábrica englobará todas as etapas da produção, do processamento do plasma até o envasamento dos frascos e terá um liofilizador. Este aparelho permitirá que os produtos líquidos sejam desidratados e transformados em pó, mantendo as propriedades neutralizantes mesmo sem refrigeração.

Independente da finalidade, os soros são produzidos a partir da inoculação dos antígenos do veneno, toxina ou vírus em cavalos, o que resulta na produção de anticorpos hiperimunes. Depois, os anticorpos são separados do plasma e submetidos ao processamento industrial, utilizando métodos físico-químicos, purificados, formulados e envasados.

Fonte: Com informações: Anvisa, Agência Butantan e BBC  

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