Tratamento em desenvolvimento pode reverter surdez
Por Fidel Forato • Editado por Luciana Zaramela |
Em adultos, reverter a surdez é algo impossível hoje. No entanto, pesquisadores da Keck School of Medicine, nos Estados Unidos, dão os primeiros passos para o desenvolvimento de uma terapia capaz de devolver a capacidade de audição aos indivíduos.
- Óculos com realidade aumentada geram legendas para pessoas surdas
- 7 hábitos que podem colocar em risco a sua audição
Por enquanto, os testes foram realizados apenas em modelos animais, como camundongos, mas os resultados indicam um possível caminho para a reversão da surdez em humanos. É o que afirmam os autores no estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of the Sciences (PNAS).
Uso de novas terapias contra surdez
Para a equipe, um novo tratamento para reverter a surdez deve se concentrar na geração de novas células ciliadas do sistema auditivo. O problema é que, quando o indivíduo é adulto, esse mecanismo que entrega novas células é interrompido.
“Nas células de suporte não sensoriais do ouvido interno, os genes-chave necessários para a conversão em células sensoriais são desligados por meio de um processo conhecido como 'silenciamento epigenético'”, explica John Duc Nguyen, o primeiro autor do estudo, em nota.
“Ao estudar como os genes são desligados, começamos a entender como podemos ligá-los novamente para regenerar a audição”, acrescenta o cientista sobre as futuras possibilidades da terapia.
Como os genes da audição são desligados?
De forma geral, os genes são desligados por causa de compostos químicos conhecidos como grupo metil. Este se liga ao DNA e impede que a célula acesse as informações e as instruções para a conversão.
Nos experimentos em laboratório, os pesquisadores se concentraram em células de suporte não sensoriais, extraídas do ouvido interno de camundongos. Na placa de petri, a equipe confirmou que a metilação do DNA desliga os genes que promovem a conversão em células auditivas sensoriais, incluindo o gene ATOH1 — um dos genes mais importantes para a audição.
Por outro lado, os cientistas também descobriram que a enzima TET pode “limpar” o DNA, o que reativa o gene e restaura a capacidade das células de suporte de se converterem em células ciliadas sensoriais.
Para entender como o processo se dava em organismos vivos, os pesquisadores testaram o impacto da enzima TET em roedores cronicamente surdos. No pequeno experimento, foi possível observar a reativação parcial dos genes e a geração de novas células auditivas. Agora, mais estudos precisam avaliar esta possível terapia que, um dia, poderá representar a cura da surdez.
De forma paralela, outros estudos buscam formas de melhorar a integração dos surdos com a sociedade, sem buscar a "cura" necessariamente. Por exemplo, pesquisadores espanhóis desenvolveram um dispositivo que permite aos usuários surdos ouvir música, utilizando o tato como forma de identificar diferentes tipos de variações sonoras dentro do espectro audível.
Fonte: PNAS e Keck School of Medicine of USC