Teste rápido de covid: aprenda a evitar o falso-negativo

Teste rápido de covid: aprenda a evitar o falso-negativo

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 21 de Janeiro de 2022 às 10h40
fernando zhiminaicela/Pixabay

Testes de antígeno, também conhecidos como testes rápidos, representam uma boa estratégia para identificar casos da covid-19 e barrar a cadeia de transmissão. No entanto, a sensibilidade desse tipo de exame depende do momento em que a pessoa testa. As amostras devem ser coletadas entre o terceiro e o quinto dia após o aparecimento dos sintomas.

Vale lembrar que, com o avanço da variante Ômicron (B.1.1.529) do coronavírus SARS-CoV-2, o Brasil bate novos recordes no número de novos casos da infecção. Na última quarta-feira (19), o país registrou, pela primeira, 205,3 mil casos confirmados da covid-19 em 24 horas.

Testes de antígeno são uma boa opção para identificar a covid-19 (Imagem: Reprodução/PolonioVideo/Envato)

Nesse cenário, a testagem em massa é fundamental e, para acelerar os diagnósticos, os testes de antígeno são uma boa opção. Desde quinta-feira (20), os planos de saúde incluíram os testes rápidos na lista de procedimentos cobertos, após decisão da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Para entender o momento ideal em se realizar o teste de antígeno para a covid-19 e quais são as limitações, o Canaltech conversou com a médica Carolina Lázari, infectologista do Grupo Fleury.

Teste de antígeno pode dar falso-negativo?

Testes de antígeno podem apresentar um resultado falso-negativo. De acordo com a infectologista Lázari, "a sensibilidade dos testes rápidos é variável de uma marca para outra. As que testamos no Grupo Fleury conseguiram detectar de 70% a 95% das amostras positivas na RT-PCR".

Sobre a questão, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que sejam utilizadas aqueles testes rápidos que tenham uma sensibilidade superior a 80%. Para conferir a sensibilidade, o Programa de Avaliação de Kits de Coronavírus disponibiliza informações sobre diferentes marcas disponíveis no mercado brasileiro.

Carga viral

Outro fator importante a ser considerado é o dia em que as amostras foram coletadas. "O desempenho [do teste de antígeno] também varia conforme a carga viral e, consequentemente, com o tempo de evolução da infecção", explica a infectologista.

"Desse modo, nos primeiros dias após início dos sintomas, momento de maior excreção viral nas vias aéreas superiores, ocorre a maior sensibilidade do teste, geralmente superior a 90%. A partir do sexto dia, a carga viral entrará em declínio e, com ela, a capacidade do teste para detectar a presença do vírus", complementa.

Afinal, qual o melhor momento para a coleta das amostras?

Período em que as amostras foram coletadas é decisivo para a eficácia do teste rápido (Imagem: Reprodução/Mohamed Hassan/Pixabay)

"Os falso-negativos costumam ocorrer nas amostras coletadas muito precoce ou tardiamente após o início dos sintomas", explica a médica. "Se a coleta com resultado negativo tiver ocorrido no primeiro ou segundo dia, ou a partir do sexto dia de sintomas, e persistir a suspeita da covid-19, vale a pena colher nova amostra para RT-PCR", orienta.

"Já as amostras coletadas entre o terceiro e o quinto dia têm bem menos chance de um resultado falsamente negativo", explica a infectologista. No entanto, se uma pessoa tem complicações da covid-19 ou é hospitalizada e ainda assim apresentar um teste negativo, é válido realizar um RT-PCR. Também é necessário investigar a presença (ou não) de outros tipos de vírus.

É sempre melhor confiar no PCR da covid?

Se em alguns casos existe a indicação do RT-PCR, não seria o ideal realizar sempre esse tipo de exame? De acordo com Lázari, nem sempre. "Não é preciso indicar sempre a PCR, muitas marcas de testes de antígeno apresentam excelente desempenho, muito próximo ao do PCR se realizados com a indicação e no momento certos", explica.

"Assim, para pessoas com sintomas gripais até o quinto dia de sintomas, o teste de antígeno pode substituir o RT-PCR, com resultado rápido e custo mais acessível, e resolverá mais de 90% dos casos", afirma a médica. "Entre os demais, uma proporção pode precisar colher o RT-PCR na sequência, dependendo da gravidade ou do risco", completa.

Dependendo do contexto, o teste de antígeno pode ser uma melhor opção do que o PCR (Imagem: Reprodução/Photocreo/Envato)

Além disso, o teste de antígeno é mais simples e mais rápido do que o RT-PCR, o que "pode ser fundamental em locais onde não há os recursos disponíveis para o processamento do teste molecular", lembra. "Sendo assim, indubitavelmente, esse método é bastante útil para a estratégia de testagem e isolamento precoce dos infectados, como medida de controle de transmissão e resposta à pandemia, reforça.

Tive contato com um infectado, vale a pena o teste rápido?

"Este teste não foi desenhado para rastreio da infecção em pessoas assintomáticas, logo, o resultado negativo não exclui que tenha havido a transmissão", explica a médica. No entanto, o exame de antígeno pode ser uma alternativa, mas deve ser encarada com cautela.

"Costumávamos orientar coleta de 5 a 6 dias após a última exposição ao caso confirmado", conta Lázari. Só que a chegada da nova variante modificou os protocolos. "A variante Ômicron parece apresentar períodos de incubação mais curtos, desse modo, temos recomendado a coleta entre o terceiro e o quinto dia, se a pessoa exposta permanecer sem sintomas", explica.

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