Teste identifica 5 tipos de câncer até 4 anos antes dos primeiros sintomas

Por Fidel Forato | 31 de Julho de 2020 às 14h40
Pixabay Arek Socha

Procurando como ampliar a detecção precoce de diferentes tipos de tumores, pesquisadores chineses conseguiram desenvolver um novo tipo de exame de sangue capaz de detectar cânceres em até quatro anos antes que os sintomas apareçam. Com esse intervalo de tempo maior, pacientes poderão ter mais chances de controlar a doença com sucesso, reduzindo assim a mortalidade.

Liderada por pesquisadores da Universidade Fudan, na China, foi desenvolvido o novo tipo exame de sangue para tumores não invasivos, apelidado de PanSeer. Conforme afirmam, o teste pode detectar diferentes tipos de câncer em 95% dos indivíduos que não apresentaram sintomas ainda, mas, posteriormente, devem receber o diagnóstico para um tumor. 

Novo teste pode identificar cinco tipos de câncer em até quatro anos  dos primeiros sintomas (Imagem: Colin Behrens/Pixabay )

"Demonstramos que cinco tipos de câncer [câncer de estômago, esôfago, colorretal, pulmão e fígado] podem ser detectados através de um exame de sangue baseado em metilação do DNA até quatro anos antes do diagnóstico convencional", afirma a equipe em artigo publicado na revista científica Nature Communications.

Previsão de câncer?

Não, o exame não pode prever o surgimento de um câncer antes do tempo, o que se diagnostica são crescimentos cancerígenos que ainda não causaram sintomas e ainda não podem ser detectados por outros métodos. Isso porque ainda são dificilmente rastreáveis, principalmente pelo plasma sanguíneo. É como se o novo método conseguisse identificar as primeiras gotas de chuva, ainda no céu, antes delas caírem no solo e umedecerem a atmosfera.

De forma geral, testes como esses são conhecidos como biópsias líquidas e já foram temas de inúmeras pesquisas oncológicas, principalmente, por oferecem uma maneira não invasiva de se rastrear os pacientes. Embora o sangue precise ser coletado, não é necessária uma cirurgia para a extração de uma amostra de tecido, potencialmente, contaminado pelas células tumorais. 

Então, o diferencial da descoberta feita pelos pesquisadores chineses é que, de forma bastante eficiente, foi possível detectar cânceres antes mesmo dos pacientes demonstrarem qualquer indicação dos sintomas - algo que poucos estudos conseguiram verificar anteriormente.

Como foi feito?

No estudo, os pesquisadores explicam que o novo teste funciona a partir da triagem de regiões específicas do DNA, encontradas no plasma sanguíneo. Nessas amostras, o sistema com Inteligência Artificial (IA) busca vestígios e sinais de DNAs tumoral circulante (ctDNA), porque são considerados um biomarcador promissor para o câncer.  É importante entender que os ctDNAs carregam as informações genéticas do próprio câncer que está em desenvolvimento no organismo do paciente.

Para desenvolver o teste de forma mais completa, a equipe usou amostras de plasma sanguíneo coletadas de indivíduos, na China, entre os anos de 2007 e 2014. Dessa forma, a IA foi treinada com  414 amostras de participantes que permaneceram livres de qualquer tipo de câncer por pelo menos cinco anos após a coleta do sangue e 191 amostras de participantes diagnosticadas com câncer de estômago, colorretal, fígado, pulmão ou esôfago nos quatro anos seguintes a essa coleta. Além disso, a equipe também usou 223 amostras de pacientes, disponíveis em bancos biológicos, já diagnosticados com um dos cinco cânceres.

Após treinar o sistema com cerca de metade das amostras, os pesquisadores testaram a abordagem desenvolvida no restante. Os resultados demonstraram que o PanSeer conseguiu sinalizar aqueles tipos de câncer em 88% dos participantes que já haviam sido diagnosticados e em 95% dos participantes que não foram diagnosticados com câncer, mas posteriormente desenvolveram a doença. O teste também identificou corretamente aqueles sem câncer 96% das vezes.

Embora seja bastante promissor, o estudo tem limitações, como o fato de se basear em um número, relativamente, pequeno de amostras. Por enquanto, o teste não consegue identificar qual tipo de câncer um indivíduo possui, apenas que ele desenvolverá algum entre os cinco.

Impactos no tratamento

"Este é um estudo empolgante que fornece uma confirmação adicional de que testes baseados em metilação podem detectar o DNA tumoral circulante e formar a base para novos testes de rastreamento que detectam câncer em estágios iniciais", comenta Eric Klein, do Taussig  Cancer  Institute da Cleveland Clinic, dos Estados Unidos, que não participou do estudo.

"Há uma necessidade de tais testes para rastrear cânceres para os quais atualmente não existem paradigmas eficazes de rastreamento", complementa  Klein sobre a importância de iniciativas como essa.

“O teste PanSeer alcançou resultados iniciais encorajadores. De maneira promissora, o teste pode detectar câncer em amostras de sangue colhidas anos antes do diagnóstico. Mas esses são resultados iniciais que agora precisam ser validados em estudos maiores", pontua Samantha Harrison, da Cancer Research UK, em Londres.

Fonte: The Guardian    

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