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Terapia genética permite que animais com paralisia voltem a andar

Por| Editado por Luciana Zaramela | 27 de Setembro de 2023 às 17h02

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iLexx/Envato
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Para melhorar a qualidade de vida de pacientes com paralisia, diferentes tecnologias são testadas, como os implantes cerebrais — a Neuralink, do Elon Musk, quer que esses pacientes possam controlar teclados apenas com o “poder da mente”. No caminho oposto, em busca por uma cura total, equipe internacional de cientistas desenvolve uma terapia genética capaz de fazer esses indivíduos voltarem a andar, sem nenhum tipo de dispositivo. Por enquanto, o tratamento só foi testado em animais.

Em humanos ou em outros mamíferos, uma lesão grave na medula espinhal pode fazer com que aquele indivíduo desenvolva algum tipo de paralisia e “nunca” mais consiga andar sozinho, por exemplo. Isso acontece porque o organismo não consegue regenerar, de forma autônoma, os nervos e as regiões lesionadas após um acidente.

Para o grupo de pesquisadores, incluindo membros do Swiss Federal Institute of Technology Lausanne (EFPL), na Suíça, a cura está na potencial terapia genética, em estágio de desenvolvimento. Através do tratamento, é possível induzir o corpo a corrigir as complicações da lesão, devolvendo a capacidade de movimento.

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Terapia genética para indivíduos com paralisia

Publicado na revista Science, o mais recente estudo da iniciativa internacional envolveu testes com a nova terapia genética em camundongos com paralisia — os resultados foram, preliminarmente, um sucesso, já que os animais recuperaram a função motora.

O interessante é que “fomos inspirados pela natureza quando concebemos esta estratégia terapêutica que reproduz os mecanismos de reparação da medula espinal que ocorrem espontaneamente após lesões parciais”, comenta Jordan Squair, pesquisador do EPFL e um dos autores do estudo, em nota.

A recuperação da medula espinhal após lesões graves

Em testes anteriores com uma versão preliminar da terapia genética, os pesquisadores descobriram que apenas gerar novas fibras nervosas, através de novos neurônios, não era o suficiente para recuperar os movimentos. Isso porque as fibras recém-geradas podem não se fixar nos locais corretos, “curando” a lesão.

Então, foi preciso iniciar uma série de investigações secundárias. Nesse momento, os cientistas estavam interessados em compreender qual tipo de neurônio está envolvido no reparo natural da medula espinhal, quando as lesões são leves. Além disso, era preciso descobrir onde os axônios — um dos componentes centrais das fibras nervosas — precisavam se reconectar no processo de restauração.

Após entender todos esses detalhes, foi possível desenhar um novo tipo de terapia genética. Na rodada mais recente de testes, o tratamento ativou o crescimento dos neurônios corretos, regenerando as fibras nervosas como eram antes da lesão, o que permitiu que os camundongos voltassem a andar após alguns meses.

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Agora, mais testes ainda são necessários com modelos animais antes que experimentos com a terapia genética sejam realizados em humanos. Apesar do longo caminho que ainda precisa ser percorrido, os cientistas estão otimistas com as possibilidades de cura da paralisia. Outra alternativa emergente envolve o uso da estimulação elétrica epidural (EES).

Fonte: Science e EPFL