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Surto de varíola dos macacos já esperava para acontecer, segundo cientistas

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  | 

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CDC/Unsplash
CDC/Unsplash

A varíola dos macacos se alastra por vários países, e pode inclusive já estar na América Latina. O surto parece repentino, mas pesquisadores do Instituto Pasteur em Paris apontam que a doença estava apenas "esperando" para surgir, considerando fatores como a queda notável na imunidade — de 85% nos anos 1980 para 60% em 2012.

Os pesquisadores alertam que a vacinação de rotina contra a varíola diminuiu na maioria dos países antes de 1980, quando a doença foi erradicada, por isso a proporção de pessoas protegidas caiu substancialmente, permitindo que o vírus se espalhasse mais facilmente.

O pessoal do Pasteur descreveu essa queda na imunidade como uma "ameaça à segurança sanitária”. Para se ter uma noção, na República Democrática do Congo houve mais de 4 mil casos suspeitos e pelo menos 171 mortes no ano de 2020. “Nosso nível de imunidade é quase zero. Pessoas com 50 anos ou mais provavelmente são imunes, mas o resto de nós não, então somos muito, muito suscetíveis", alertam os cientistas.

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O aumento de casos levantou questões sobre a transmissibilidade da varíola dos macacos, mas até agora, os cientistas não encontraram evidências de que o vírus tenha se tornado mais transmissível. O que se tem em mente é que o vírus corresponde a cepas que chegaram ao Reino Unido, Cingapura e Israel em 2018 e 2019.

Até quando o surto de varíola dos macacos segue?

O ponto de vista de especialistas da London School of Hygiene & Tropical Medicine é que a varíola dos macacos não deve crescer a nível de covid-19, mas estima-se que o surto deve continuar por vários meses, uma vez que métodos como o rastreamento de contatos diminui, mas não interrompe a transmissão.

Os especialistas observam que, pelo menos no momento, a doença tem atingido principalmente homens mais jovens sexualmente ativos, mas quanto mais tempo o surto continuar e quanto maior a prevalência, maior a probabilidade de alcançar outros públicos.

A conclusão é que, assim como outras ocorrências da varíola dos macacos, como 2017, 2018 e 2021, os especialistas consideram ser possível conter infecção, então o provável é que a doença não venha a se tornar pandemia. De qualquer forma, vale ficar alerta a sinais como lesões ulcerativas, erupções cutâneas, dores de cabeça, dores musculares, calafrios e fadiga.

Fonte: NIHThe Guardian