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Soneca durante o dia preserva a saúde do cérebro e evita doenças

Por| Editado por Luciana Zaramela | 21 de Junho de 2023 às 13h36

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Adrian Swancar/Unsplash
Adrian Swancar/Unsplash

Aquela soneca depois do almoço pode ser um bom hábito para a saúde do cérebro, segundo pesquisadores da University College London (UCL), na Inglaterra, e da Universidad de la República, no Uruguai. Isso porque o hábito do cochilo diurno foi relacionado ao maior volume cerebral, o que implica em um risco menor para inúmeras doenças, incluindo as demências.

Os potenciais benefícios da soneca diária foram descobertos, após a análise de dados genéticos e exames de ressonância genética de mais de 35 mil pessoas no Reino Unido, com idades entre 40 e 69 anos. O estudo completo foi publicado na revista científica Sleep Health e se une ao conjunto de evidências que apontam para as vantagens da soenca.

Cochilar é hábito comum para as crianças

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O interessante é que o cochilo pode ser visto com preconceito por muitas pessoas, mas é um hábito, muito provavelmente, natural para os humanos. Segundo os autores, 80% das crianças entre 1 e 2 anos cochilam ao longo do dia. No entanto, o costume vai perdendo força, conforme a pessoa envelhece. Entre os que têm de 26 a 64 anos, apenas 13,7% cochilam. Agora, o recente estudo propõe uma revisão nessa história.

“Nossas descobertas sugerem que, para algumas pessoas, cochilos curtos durante o dia podem ser parte do quebra-cabeça que ajuda a preservar a saúde do cérebro à medida que envelhecemos", sugere Victoria Garfield, da UCL, em nota.

Como a soneca protege o cérebro?

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"Encontramos uma associação entre cochilos diurnos habituais e um maior volume cerebral total, o que pode sugerir que cochilar regularmente fornece alguma proteção contra a neurodegeneração ao compensar o sono ruim”, afirmam os autores do estudo.

Em paralelo, sabe-se que a redução do tamanho do cérebro ocorre naturalmente ao longo da vida. Essa perda de volume também está relacionada com o declínio cognitivo e com algumas doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer (um tipo de demência). Além da velhice, noites maldormidas podem acelerar esse processo.

“Crucialmente, propõe-se que os déficits de sono possam estar relacionados a essas mudanças estruturais. Por exemplo, vários estudos de neuroimagem encontraram um menor volume cerebral em pessoas com problemas de sono, insônia e má qualidade do sono”, acrescentam os cientistas.

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Neste ponto, é possível sugerir que a soneca diária ajude a equilibrar os déficits de sono de um indivíduo. No entanto, esta hipótese não foi avaliada no atual estudo e precisa ser investigada posteriormente.

Entenda como foi medida o impacto dos cochilos na saúde

A atual pesquisa sobre o impacto do cochilo parte de um estudo anterior que traçou variantes genéticas que influenciam a probabilidade de alguém tirar uma soneca durante o dia. Ambas investigações usaram o mesmo banco de dados, o UK Biobank.

Dessa forma, a equipe de cientistas britânicos e uruguaios comparou as medidas de saúde cerebral e a cognição de pessoas geneticamente “programadas” para tirar uma soneca com indivíduos que não dormem durante o dia. Aqui, vale observar que além de ter esses marcadores genéticos, a pessoa precisava, de fato, dormir durante o dia para ser considerada.

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"A propensão genética ao cochilo diurno estava associada a um volume cerebral total 15,8 centímetros cúbicos maior”, afirmam os autores. Apesar disso, não foram identificadas mudanças no volume do hipocampo, no tempo de reação e nem na capacidade de memória visual.

Qual é o tempo ideal do cochilo da tarde?

O estudo não coletou informações detalhadas sobre a soneca, como o tempo médio do cochilo ou o período do dia (após o almoço, por exemplo) em que é feito. Inclusive, esta é uma das limitações do estudo, já que dormir por 15 minutos tem um impacto muito diferente de “cochilar” por uma hora.

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No entanto, os autores sugerem que o tempo de um cochilo ideal deve durar menos de 30 minutos. Afinal, as sonecas rápidas aumentam a agilidade cerebral, como mostrou uma pesquisa chinesa. Sem saber das evidências científicas, instintivamente o pintor espanhol Salvador Dalí, um dos mais importantes nomes no movimento artístico do surrealismo, recorria a essa técnica para melhorar a sua criatividade.

“Espero que estudos como este, mostrando os benefícios para a saúde de cochilos curtos, possam ajudar a reduzir qualquer estigma que ainda exista em relação aos cochilos diurnos”, comenta Garfield. Só cuidado com os cochilos muito longos, já que estes são considerados fatores de risco para diabetes e obesidade, segundo estudo mexicano.

Fonte: Sleep Health e UCL News