Saiba quais distúrbios psiquiátricos podem ser causados pela COVID-19, após alta

Por Fidel Forato | 05 de Agosto de 2020 às 07h00
Engin Akyurt/Pixabay

Não é segredo que pesquisadores ainda investigam os efeitos a longo prazo de infecções do novo coronavírus (SARS-CoV-2). Entre os possíveis efeitos da COVID-19 está o aparecimento e, até mesmo, a piora de distúrbios psiquiátricos. Pelo menos é isso que aponta um estudo, no qual mais da metade dos pacientes recuperados da infecção — e que estiveram internados —apresentaram pelo menos um distúrbio psiquiátrico após um mês da alta hospitalar.

Entre os quadros mais identificados pela equipe italiana estavam: o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) em 28% dos casos; a depressão em 31% dos casos; e a ansiedade em 42% dos casos. Além disso, 40% dos pacientes apresentaram insônia e 20% apresentaram sintomas obsessivo-compulsivos (CO), sendo que a última pode desencadear o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

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Entenda a pesquisa

(Foto: Bruno Araujo/ Unsplash)

Dos 402 pacientes monitorados após o tratamento contra o novo coronavírus, 55% foram encontrados com pelo menos um distúrbio psiquiátrico, segundo relataram os médicos do hospital San Raffaele, em Milão. A maior parte dos participantes eram de homens (265), sendo apenas 137 mulheres.

A pesquisa com pequena amostragem foi baseada em entrevistas clínicas e questionários de autoavaliação. Segundo as análises, mesmo que as mulheres tenham menor probabilidade de óbito pela COVID-19, foram as que mais sofreram psicologicamente com a doença.

Mesmo que os pacientes ambulatoriais tenham apresentado aumento da ansiedade e distúrbios do sono, o tempo da hospitalização se relaciona, diretamente, com os sintomas de TEPT, depressão, ansiedade e CO. Nesse caso, quanto menor foi o período de hospitalização, maior foram os distúrbios apresentados.

Além disso, pacientes com diagnóstico psiquiátrico anterior a essa doença sofreram mais do que aqueles sem histórico de transtorno psiquiátrico. Mesmo que pouco abrangentes, os pesquisadores, liderados pelo Dr. Mario Gennaro Mazza, defendem que esses resultados colaboram com resultados semelhantes vindos de outros estudos epidemiológicos.

Isso porque estudos desenvolvidos a partir de outros surtos de coronavírus, como a síndrome respiratória aguda grave (SARS), também apontam para o aparecimento de distúrbios psiquiátricos. Para a SARS, o aparecimento dos distúrbios variaram de 10% a 35% após a recuperação do paciente.

Impactos para saúde

Entre as hipóteses do que leva à formação do quadro, os cientistas entendem que os efeitos psiquiátricos podem ser causados ​​"pela resposta imune ao próprio vírus ou por estressores psicológicos, como isolamento social, impacto psicológico de uma nova doença grave e, potencialmente, fatal, preocupações com a infecção de outras pessoas e estigma".

Segundo o artigo científico publicado na revista Brain, Behavior and Immunity, as descobertas apontam para a necessidade de um melhor acompanhamento dos efeitos psicológicos que o novo coronavírus pode causar, após o tratamento. "Considerando o impacto alarmante da infecção por COVID-19 na saúde mental, sugerimos agora avaliar a psicopatologia dos sobreviventes da COVID-19, para diagnosticar e tratar condições psiquiátricas emergentes, monitorando suas alterações ao longo do tempo, com o objetivo de reduzir a carga da doença", orientam os pesquisadores.

Fonte: The Guardian  

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