Risco de autismo pode ser maior em áreas com mais lítio na água
Por Nathan Vieira • Editado por Luciana Zaramela |

Segundo estudo publicado na revista científica JAMA Network, o risco de autismo (TEA, o transtorno do espectro autista) pode ser maior em áreas com mais lítio na água potável. O artigo indica um notável número de grávidas expostas à água da torneira com níveis mais altos de lítio que deram à luz crianças com o distúrbio.
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Basicamente, o lítio é um metal alcalino que pode ser encontrado naturalmente em alguns alimentos e águas subterrâneas, usado em baterias, graxa e condicionadores de ar. Essa pequena associação entre lítio e diagnóstico de autismo foi identificada na Dinamarca.
Para isso, os pesquisadores verificaram um banco de dados de pessoas com transtornos psiquiátricos nascidas entre 2000 e 2013 e mediram concentração de lítio em 151 sistemas públicos de abastecimento de água, mapeando onde as pessoas grávidas viviam e traçando uma relação.
O artigo aponta que aquelas gestantes que tiveram a segunda e a terceira maior exposição ao material tiveram um risco 24% a 26% maior de TEA diagnosticado em seus filhos. O grupo com a maior exposição teve um risco 46% maior do que aqueles com o menor nível de exposição.
Por enquanto, não é informação suficiente para afirmar com convicção que a exposição ao lítio leva diretamente a um diagnóstico de autismo. Com isso, mais estudos são necessários. Porém, os especialistas reconhecem que qualquer contaminante da água potável que possa afetar o cérebro humano em desenvolvimento merece um exame minucioso.
Autismo
Conforme indica o Ministério da Saúde, o TEA é um distúrbio caracterizado pela alteração das funções do neurodesenvolvimento, que podem englobar alterações qualitativas e quantitativas da comunicação, seja na linguagem verbal ou não verbal, na interação social e do comportamento.
Vale ressaltar que, dentro do espectro do autismo, são identificados graus que podem ser leves e com total independência, apresentando discretas dificuldades de adaptação, até níveis de total dependência para atividades cotidianas ao longo de toda a vida.
Fonte: JAMA Network via CNN