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Quão perto estamos do anticoncepcional masculino?

Por| Editado por Luciana Zaramela | 05 de Julho de 2023 às 15h00

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Sweet Life/Unsplash
Sweet Life/Unsplash

Muitos se perguntam por que métodos contraceptivos masculinos são tão limitados, já que a única coisa que os homens podem fazer para garantir que não tenham filhos é recorrer a uma vasectomia. Atualmente, o anticoncepcional masculino ainda está sob pesquisa, mas quão perto a humanidade está de chegar a esse tipo de medicação?

Em 2017, uma pesquisa com 1.500 homens de 18 a 44 anos descobriu que mais de 80% queriam impedir que sua parceira engravidasse e sentiam que compartilhavam ou eram os únicos responsáveis ​​pelo controle de natalidade. Daqueles insatisfeitos com os preservativos, 87% demonstraram interesse ​​em novos métodos de contracepção masculina.

Esse é um assunto que tem sido apoiado principalmente por organizações governamentais, como a OMS, que trabalha com centros médicos acadêmicos.

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O grande problema, nesse sentido, é que as agências frequentemente não têm uma infraestrutura de desenvolvimento de medicamentos comparável às empresas farmacêuticas. Recursos financeiros limitados fazem com que o desenvolvimento fique ainda mais atrasado, e a falta de interesse das empresas farmacêuticas também pode desempenhar um papel nessa limitação.

Anticoncepcional masculino: o que foi feito até agora?

Em compensação, muitos cientistas se concentram no desnvolvimento de uma solução para essa questão, embora ainda haja muito a ser feito.

Contraceptivo injetável

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O Instituto Indiano de Tecnologia vem desenvolvendo um contraceptivo masculino injetável que leva o nome de Risug (Inibição Reversível do Esperma Sob Controle). É um gel feito de polímero chamado anidrido maleico de estireno que atua danificando as caudas dos espermatozoides e impedindo-os de fertilizar um óvulo.

O procedimento leva apenas alguns minutos e pode ser revertido a qualquer momento com uma injeção de água e bicarbonato de sódio. Isso quer dizer que ele não é tão definitivo quanto a vasectomia, que embora reversível, oferece o risco de não ter uma reversão bem sucedida, principalmente se passar muito tempo desde o procedimento.

Essa espécie de vacina anticoncepcional para homens está prevista para chegar em 2023, mas ainda não há uma data mais concreta em vista.

Implante de gel

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No fim de 2022, pesquisadores do Epworth Freemasons Hospital (Melbourne, Austrália) começaram a testar um novo implante de gel capaz de bloquear o esperma, com potencial para ser o mais novo contraceptivo masculino. O método é um hidrogel não hormonal, implantado no ducto deferente (um tubo muscular localizado no cordão espermático), que se dissolve após dois anos de uso.

Para esse caso, os pesquisadores estimam que o estudo deve ser concluído apenas em 30 de junho de 2025.

Contraceptivo oral

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No entanto, o mais aguardado talvez seja o contraceptivo oral. Em artigo da Nature Communications, pesquisadores descreveram a possibilidade de uma pílula masculina não hormonal, que age impedindo que os espermatozoides consigam nadar. A ideia é que seja possível tomar o contraceptivo cerca de uma hora antes da relação sexual.

O medicamento não interage com a testosterona e não causa nenhum efeito colateral no corpo masculino. Em paralelo, diversos contraceptivos orais para os homens já foram alvo de testes nos últimos anos, mas nenhum conseguiu chegar ao mercado até agora.

Fonte: The ConversationNature CommunicationsAmerican Chemical Society