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Qual o efeito síndrome de Burnout no cérebro? Especialistas debatem

Por| Editado por Luciana Zaramela | 06 de Abril de 2022 às 14h20

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Prostock-studio/envato
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) descreve a síndrome de Burnout como "resultado do estresse crônico no local de trabalho". Na última terça-feira (29), pesquisadores da Yale University (EUA) se reuniram para debater o impacto dessa condição no cérebro e o que pode ser feito para revertê-lo.

A professora de neurociência Amy Arnsten se concentra em estudar os efeitos do estresse no cérebro, e analisar pacientes de hospitais psiquiátricos ajudou a entender como o estresse incontrolável afeta o córtex pré-frontal, responsável pela concentração, além do planejamento e execução de tarefas.

Segundo os estudos de Arnstein, as vias de sinalização de estresse enfraquecem o córtex pré-frontal e fortalecem as partes mais primitivas do cérebro. A especialista menciona que a neuroimagem costuma ajudar a estudar a resposta específica do córtex pré-frontal ao estresse, e já permitiu enxergar que esse tipo de emoção pode enfraquecer a conectividade da rede pré-frontal, prejudicando a capacidade de concentração.

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No entanto, o córtex pré-frontal permite que deficiências cognitivas do estresse sejam revertidas ao longo de um mês de estresse reduzido. O problema é que esse ciclo de exposição ao estresse pode ameaçar a saúde mental a longo prazo. O professor de psiquiatria Mark Rego levantou a hipótese de que a repetição de um colapso mental pode tornar o córtex pré-frontal vulnerável à disfunção, levando a determinados distúrbios.

Segundo o psiquiatra, o esgotamento é o próximo passo antes que o estresse oprima um indivíduo em um estado de depressão. Em seu ponto de vista, sem o córtex pré-frontal, os humanos seriam incapazes de controlar qualquer ação impulsionada pela emoção. As numerosas conexões do córtex pré-frontal com o sistema límbico, onde as emoções se formam, explicam seu papel vital em lidar com o emocional.

As fases da síndrome de Burnout

Segundo a professora de psicologia Laurie Santos, a síndrome de Burnout consiste em três fases diferentes:

  • Exaustão emocional, caracterizada pela sensação de esgotamento
  • Despersonalização ou cinismo, caracterizada pela fácil irritabilidade e pelo distanciamento
  • Redução da sensação de realização pessoal e aumento da sensação de ineficácia

Os circuitos primitivos da amígdala — uma estrutura cerebral voltada para a manifestação de reações emocionais e na aprendizagem de conteúdo emocionalmente relevante — são fortalecidos nessas condições. É como se o próprio cérebro estivesse configurando para se concentrar em interpretar as coisas de uma maneira negativa.

Para reduzir o efeito da síndrome de Burnout no cérebro, os especialistas indicam atividades práticas, como artes, esportes e culinária. Conversar com as pessoas com mais frequência também pode ajudar.

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Fonte: Yale Daily News, OMS