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Por que o primeiro suspiro do bebê é tão importante? A ciência explica!

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Dragos Gontariu/ Unsplash
Dragos Gontariu/ Unsplash

O nascimento de um bebê costuma ser um marco muito comemorado para uma família, mas o que pouca gente sabe é a importância dos primeiros momentos, incluindo o primeiro suspiro, para a saúde da criança. Nos Estados Unidos, uma equipe de pesquisadores investiga como a primeira respiração pode afetar a capacidade do sistema respiratório ao longo da vida e já descobriram que, aí, pode estar a chave para entender alguns casos de morte súbita.

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Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade da Virgínia (UVA), nos Estados Unidos, investigam as mudanças ao longo da vida nos sistemas respiratórios e descobriram que muitas estão associadas a primeira respiração. Inclusive, esse primeiro suspiro pode oferecer pistas importantes sobre a síndrome da morte súbita infantil (SMSI), que pode acometer bebês com menos de um ano.

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Em suas análises, os pesquisadores descobriram um sistema de sinalização no tronco cerebral que se ativa, de forma quase imediata, na hora do nascimento para apoiar a respiração da criança. Antes desse momento, vale lembrar que o bebê obtém oxigênio através da mãe e da placenta para respirar. Depois, o seu corpo é que se torna responsável pelas trocas gasosas fundamentais para vida, de forma abrupta.

"O parto é traumático para o recém-nascido, pois o bebê tem que assumir o controle independente de várias funções importantes do corpo, incluindo a respiração", explica Douglas A. Bayliss, presidente do Departamento de Farmacologia da UVA. "Pensamos que a ativação deste sistema de suporte no nascimento fornece um fator de segurança extra para este período crítico", pensa.

Regulando a respiração do bebê

Agora, as descobertas devem ajudar os pesquisadores a entender como a respiração passa de um estado frágil — afinal, é uma atividade totalmente nova para o bebê — a pausas potencialmente fatais e que podem desencadear danos cerebrais no início do desenvolvimento para um sistema fisiológico estável. Inclusive, será este sistema que fornecerá oxigênio para a criança por toda a vida.

Em parceria com outros pesquisadores da Universidade de Alberta e da Universidade de Harvard, a equipe de cientistas descobriu que um gene específico é ativado, na hora do nascimento, em um grupo de neurônios que regulam a respiração em ratos. No estudo com outros mamíferos, este gene produz um neurotransmissor peptídeo (PACAP). Em outras palavras, é produzida uma cadeia de aminoácidos que consegue retransmitir informações entre os neurônios.

Durante os testes com os ratos, os pesquisadores conseguiram verificar que o bloqueio desse neurotransmissor causa problemas respiratórios e também é responsável por aumentar a frequência das apneias, ou seja, pausas na respiração potencialmente perigosas. Além disso, foi possível observar maior incidência das apneias com a variação da temperatura ambiente.

Dessa forma, as evidências identificadas pela pesquisa sugerem que problemas com o sistema desse neurotransmissor podem aumentar também os riscos dos bebês desenvolverem a síndrome da morte súbita infantil (SMSI) e até a outros problemas respiratórios. Mesmo que não seja a única causa, essa cadeia de aminoácidos foi a primeira molécula sinalizadora que mostrou ser, especificamente, ativada no nascimento e foi geneticamente ligada a SMSI, em bebês.

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"Essas descobertas levantam a interessante possibilidade de que mudanças adicionais relacionadas ao nascimento possam ocorrer nos sistemas de controle da respiração e outras funções críticas", comenta Bayliss. "Nós nos perguntamos se este poderia ser um princípio geral de projeto em que sistemas de suporte à prova de falhas são ativados, neste período de transição chave, e que compreendê-los pode nos ajudar a tratar melhor os distúrbios do recém-nascido", completa o pesquisador.

Para acessar o estudo completo, publicado na revista científica Nature, clique aqui.