Por que cirurgiões injetaram cocaína em coração de porco antes do transplante?

Por que cirurgiões injetaram cocaína em coração de porco antes do transplante?

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 26 de Janeiro de 2022 às 08h30
mstandret/envato

No início do mês, aconteceu o primeiro transplante de coração de porco em um ser humano. Para manter o coração batendo durante a longa operação, os cirurgiões precisaram utilizar um coquetel de drogas que tinha cocaína em sua composição. Mas calma: os médicos tiveram até a autorização do Drug Enforcement Administration, um órgão dos EUA encarregado da repressão e controle de narcóticos.

A mistura de substâncias precisou ser injetada no coração de porco para prolongar sua longevidade. Desenvolvido pela farmacêutica sueca XVIVO, o coquetel conta com vários outros ingredientes, incluindo cortisol e adrenalina.

“Antes de usar essa solução, estávamos falhando. Mas quando começamos a infundir o coração com essa solução, o órgão ficou bem preservado e passou a bater muito bem. Se não tivéssemos feito isso, a rejeição teria acontecido em minutos, e o órgão ficaria inútil”, explica Muhammad Mohiuddin, diretor de transplante cardíaco do University of Maryland Medical Center (o centro médico responsável pelo transplante), em entrevista à Vice.

Médicos injetaram cocaína em coração de porco transplantado em humano (Imagem: Neonbrand/Unsplash)

Quem recebeu o coração de porco foi o norte-americano David Bennett (57), em uma operação que durou sete horas e foi considerada um sucesso. O paciente tinha uma doença cardíaca em estágio terminal, então o transplante era o último recurso. Para que o transplante pudesse acontecer com segurança, o porco foi geneticamente modificado, eliminando fatores que levariam o coração a ser rejeitado pelo organismo humano.

Fonte: Vice

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