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Por que alguns pacientes da covid demoraram para recuperar a consciência?

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  | 

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Após ser intubado e respirar através da ventilação mecânica, alguns pacientes com formas graves da covid-19 levam muito tempo para recuperarem a consciência, segundo cientistas norte-americanos. A explicação para isso parece estar em um mecanismo de preservação do corpo, acionado apenas em casos extremos. Tartarugas podem adotar técnica semelhante, quando há falta de oxigênio no cérebro (anoxia).

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O estudo sobre o que leva pacientes da covid-19 a demorarem para recuperar a consciência foi publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas). A investigação que envolveu voluntários internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) foi liderado por pesquisadores da Weill Cornell Medicine e do Massachusetts General Hospital, ambos nos Estados Unidos.

Por que o paciente internado demora para retomar a consciência?

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"A recuperação tardia da consciência após o tratamento da covid-19 na UTI é um fenômeno frequente e intrigante. Muitos desses pacientes não apresentavam sinais de lesões cerebrais estruturais e desfrutavam de plena função cognitiva antes de suas doenças", explicam os autores sobre a questão.

Para além dos casos de infecção pelo coronavírus SARS-CoV-2, os cientistas também identificaram que um processo semelhante pode ocorrer em indivíduos que sofreram parada cardíaca e foram internados. Há o relato de um paciente, de 71 anos, que levou 37 dias para acordar, após uma internação.

A principal hipótese defendida para justificar a demora do retorno da consciência é o fato desta ser uma estratégia para proteger o cérebro da privação de oxigênio. Inclusive, pode ser observada em animais. Este é o caso da tartaruga-pintada (Chrysemys picta), capaz de sobreviver a períodos sem oxigênio.

“Nossa teoria é que a privação de oxigênio, bem como as práticas na UTI, incluindo os anestésicos comumente usados, levam [os humanos] a adotarem estratégias que os animais usam para sobreviver em condições extremas”, afirma Nicholas D. Schiff, professor da Weill Cornell Medicine e um dos autores do estudo, em comunicado.

"Essas descobertas podem oferecer novos insights sobre os mecanismos de como certos anestésicos produzem inconsciência e novas abordagens para sedação na UTI", completa.