Poluição do ar pode prejudicar a saúde do cérebro, revela novo estudo

Poluição do ar pode prejudicar a saúde do cérebro, revela novo estudo

Por Natalie Rosa | Editado por Luciana Zaramela | 04 de Maio de 2021 às 10h30
Kdwk Leung/Unsplash

Já não é novidade que a poluição vem degradando a atmosfera a cada vez mais, fazendo com que o planeta aqueça a níveis assustadores. Porém, parece que não é apenas essa a consequência da emissão de gases de efeito estufa. De acordo com um estudo recente, aumentos temporários na poluição do ar podem ser prejudiciais para a saúde de nosso cérebro.

A pesquisa descobriu que a performance cognitiva de homens que participaram do teste decaiu após aumentos na poluição do ar no mês anterior ao experimento. Curiosamente, a queda aconteceu mesmo com os aumentos ainda sendo abaixo dos limites de segurança impostos pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

Imagem: Reprodução/Maxim Tolchinski/Unsplash

Antes de buscar os resultados, os cientistas se sustentaram em evidências de que a exposição das pessoas às partículas finas no ar, principalmente as que são emitidas por veículos rodoviários e da indústria, não são prejudiciais apenas aos pulmões. Então, a pesquisa conseguiu comprovar que os tecidos neurais do cérebro, que são bastante delicados, também são danificados pela poluição, mesmo que em níveis baixos.

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Cientistas da China e dos Estados Unidos analisaram um compilado de testes cognitivos de quase mil homens que habitavam a região metropolitana de Boston, todos brancos e idosos, com média de idade de 69 anos, comparando os níveis de poluição do ar quatro semanas antes da realização do experimento. Os testes avaliaram a memória para lembrar números e também para a fluência verbal.

O estudo mostrou que o impacto do ar tóxico na saúde respiratória e cardiovascular é uma evidência estável de que os danos ao cérebro estão aumentando, uma vez que outros estudos já relacionaram a poluição do ar com a demência e a redução de inteligência. Andrea Baccarelli, autor sênior do estudo e professor de ciências da saúde ambiental na Universidade de Columbia, em Nova York, confirma a relação entre o funcionamento do cérebro em envelhecimento com a poluição do ar.

Imagem: Reprodução/twenty20photos/envato

"Esses efeitos em curto prazo são reversíveis: quando a poluição do ar é limpa, nosso cérebro reinicia e começa a trabalhar de volta em seu nível original. No entanto, múltiplas ocorrências de altas exposições [ao ar poluído] podem provocar dano permanente", conta o cientista.

O estudo revelou ainda que homens que faziam o uso de anti-inflamatórios como Aspirina foram os menos afetados pela poluição. Mas Baccarelli diz não recomendar o uso dessas drogas como prevenção, mas sim uma alimentação saudável, rica em vegetais e fibras, e a prática regular de exercícios físicos.

Fonte: The Guardian

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