Pesquisa aponta que Night Shift do iOS não melhora a qualidade do sono

Por Felipe Demartini | Editado por Jones Oliveira | 03 de Maio de 2021 às 07h45
Claudio Scott/Pixabay

Um estudo realizado pela Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos, concluiu que o uso da função Night Shift em iPhones e iPads não melhora a qualidade do sono de seus utilizadores. De acordo com os pesquisadores, alterar aspectos da luz emitida pela tela não causou diferenças perceptíveis no descanso dos usuários, mesmo na comparação com aqueles que simplesmente não utilizaram o smartphone antes de dormir.

Introduzido junto com a atualização 9.3 do iOS, em setembro de 2015, o recurso afirma melhorar a qualidade do sono de quem gosta de levar o celular para a cama. Isso é feito por meio de mudanças no brilho da tela, que também ganha uma temperatura de cor mais quente a partir da hora do pôr do sol ou a partir de um horário pré-definido pelo usuário, como forma de reduzir os efeitos da luz azul sobre os olhos.

Na prática, porém, a ativação causou pouco ou nenhum efeito. O estudo da universidade norte-americana, realizado pelo departamento de psicologia em parceria com o Centro Médico Infantil de Cincinnati, comparou três grupos distintos de usuários — um deles não utilizava smartphones na última hora antes de dormir, enquanto os outros dois tinham a função Night Shift ativada ou não.

Como forma de validar ainda mais os resultados, novas análises foram feitas com alterações na quantidade de horas dormidas por cada participante, com cada grupo sendo dividido em dois, um com cerca de sete horas por noite e outro com pouco menos de seis. Novamente, não existiram diferenças perceptíveis entre eles, que usaram acelerômetros para registro das informações noturnas e aplicativos para controle do uso do celular durante o dia.

Ao contrário do que poderia se esperar, a pesquisa concluiu não apenas que o uso ou não da tecnologia é irrelevante, como também que o uso de smartphones antes de dormir, por si só, não gera alterações na qualidade do sono. O resultado é uma afirmação de que a luz azul não faz com que dormir seja mais difícil, ou que temperaturas mais quentes do display tornam isso mais fácil, mas sim, que essas mudanças são causadas pelo tipo de atividade que é realizada nos dispositivos.

O estudo aponta aspectos como envolvimento cognitivo e estímulos psicológicos como mais relevantes para o descanso do que a utilização dos dispositivos em si. O grupo que não pegou no celular antes da hora de dormir conseguiu atingir estados de sono profundo mais rapidamente, pois já estavam em um estado mental apropriado ao descanso, enquanto o restante manteve a atividade mais alta devido ao uso do celular para jogos, redes sociais e outras tarefas.

Por outro lado, os pesquisadores não descartam os benefícios do Night Shift em termos de cansaço ocular, principalmente em usos prolongados, ainda que, do ponto de vista psicológico e da análise de sono, ele não tenha apresentado benefícios. O estudo foi realizado com 167 pessoas de idades entre 18 e 24 anos, todos usuários contumazes de smartphones durante todo o dia.

Fonte: Universidade Brigham Young

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