Peixinho de aquário pode ajudar seres humanos a se recuperarem de infarto

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 13 de Abril de 2021 às 08h10
Petr Kuznetsov/ Pixabay

Observar e estudar outras formas de vida, além da humana, pode ser a fonte de valiosos insights sobre o nosso organismo. É exatamente isso que os cientistas do Instituto de Pesquisa Cardíaca Victor Chang, na Austrália, fizeram com o zebrafish, também conhecido como paulistinha, um peixinho ornamental de aquário. De acordo com as análises, um dos genes desta espécie pode recuperar e reparar o músculo cardíaco danificado após um infarto. O curioso é que este gene também está presente no DNA humano. E agora, resta saber como ativá-lo.

Estudos anteriores já apontavam para a capacidade do peixe paulistinha em recuperar o coração após um infarto, mas os mecanismos que permitiam essa reconstrução ainda era um mistério. Agora, os pesquisadores do instituto australiano identificaram um gene, em específico, responsável pela reconstrução dos tecidos.    

Na pesquisa publicada na revista científica Science, o grupo identificou que o gene Klf1 do peixe de aquário permite que as células do coração se dividam e se multipliquem após um ataque cardíaco, o que resulta na regeneração completa e na cura do músculo cardíaco danificado na espécie. No entanto, a função do gene só é acionada após a lesão, ou seja, permanece inerte caso não seja necessário.

Compartilhado entre peixes e humanos, o gene Klf1 pode ser a chave para recuperação do coração após infarto (Imagem: Reprodução/Petr Kuznetsov/Pixabay)

"Nossa pesquisa identificou um 'interruptor secreto' que permite que as células do músculo cardíaco se dividam e se multipliquem após o coração ser ferido [nos peixes]. Ele entra em ação quando necessário e desliga quando o coração está totalmente curado. Em humanos, onde o músculo cardíaco danificado e com cicatrizes não pode se substituir, isso pode mudar o jogo", explica um dos autores do estudo, o pesquisador Kazu Kikuchi. 

Como o gene de um peixe pode ajudar humanos? 

A vantagem é que o paulistinha compartilha mais de 70% dos seus genes com o genoma humano, incluindo este em especial. Dessa forma, uma alternativa seria desenvolver um medicamento capaz de ativá-lo quando necessário, por exemplo. De acordo com Kikuchi, o gene regride as células do músculo cardíaco que não foram lesadas e as tornam imaturas. Neste estágio, elas podem se dividir, formando novas células para substituir aquelas que foram danificadas.

"O gene também pode atuar como um 'interruptor' nos corações humanos. Agora, esperamos que mais pesquisas sobre sua função possam nos fornecer uma pista para ativar a regeneração em corações humanos, para melhorar sua capacidade de bombear sangue pelo corpo", completa o pesquisador.

No Brasil, o peixinho também protagoniza uma série de estudos envolvendo pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). No entanto, o alvo da pesquisa é adotar o peixe como uma cobaia para se verificar a segurança de imunizantes contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2). Isso porque o peixe paulistinha pode produzir anticorpos após receber a dose de uma vacina, de forma semelhante ao sistema imunológico humano.

Para conferir o artigo sobre o peixe e a capacidade de regeneração do coração, publicado na revista Science, clique aqui.

Fonte: Medical Xpress  

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