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Peixes em SP estão contaminados como microplásticos

Por| Editado por Luciana Zaramela | 08 de Abril de 2024 às 08h36

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Engin Akyurt/Unsplash
Engin Akyurt/Unsplash

No estado de São Paulo, há uma elevada quantidade de peixes contaminados por fragmentos plásticos e microplásticos. Em novo estudo, pesquisadores Instituto Federal do Paraná (Ifpr) analisaram amostras de tainha e descobriram que 70% tinham plástico no trato digestório. Se consumidos, o material será absorvido pelo organismo humano, com consequências ainda desconhecidas.

“À primeira vista, podemos pensar que este plástico [presente nos peixes] não será negativo para os seres humanos, mas os plásticos trazem consigo produtos químicos, corantes, pesticidas e agrotóxicos”, explica Gislaine Filla, pesquisadora da Ifpr e coautora do estudo, para a Agência Bori.

Peixes com plástico em SP

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Publicado na revista científica Biodiversidade Brasileira, o recém-divulgado estudo analisou amostras de tainhas — peixes do gênero Mugil — coletadas em quatro momentos diferentes entre os anos de 2016 e 2018.

Estes peixes vieram do Complexo Estuarino Lagunar de Cananéia — um local de Mata Atlântica, no litoral sul de São Paulo. Apesar de ser uma área de preservação ambiental, a pesca é liberada em pontos específicos, de onde vieram os 57 espécimes analisados. 

"Dos 57 peixes que tiveram seu trato digestório analisado, 40 apresentaram algum tipo de resíduo proveniente de plásticos junto ao conteúdo alimentar", afirmam os autores, no artigo. "Materiais como fios de nylon de diferentes cores e pequenos fragmentos de plástico azul foram observados no trato digestório desses animais", acrescentam.

De onde veio o plástico?

Segundo os pesquisadores, a principal hipótese para explicar a alta concentração de plásticos dentro dos animais está relacionada com as atividades de pesca. Isso porque o nylon, principal componente das cordas utilizadas pelos pescadores na captura, foi o material mais encontrado. No entanto, não está descartada outras formas de poluição, que afetam as águas, os peixes e, consequentemente, os humanos.

Inclusive, os autores alertam para o fato da contaminação de plástico não ser um caso isolado. "Esses resultados são semelhantes a outros estudos, realizados na mesma região com diferentes espécies de peixes e também corroborados por estudos provenientes de outras regiões do litoral brasileiro", pontuam.

Ainda não se sabe se os plásticos causam algum problema de saúde aos peixes. Em aves, outro grupo de pesquisa internacional descobriu que os microplásticos afetam negativamente o sistema digestivo, causando uma doença apelidada como plasticose. Em humanos, existem indicativos que podem contribuir com o surgimento de doenças cardíacas e até danos neurológicos.

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Fonte: Agência Bori