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Pausar o envelhecimento dos ovários pode prolongar a vida das mulheres

Por| Editado por Luciana Zaramela | 03 de Maio de 2023 às 12h22

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Icetray/Envato
Icetray/Envato

Os ovários estão diretamente conectados com o processo de envelhecimento das mulheres e ao início da menopausa. Na verdade, as glândulas reprodutivas tendem a envelhecer mais rápido que as outras partes e tecidos do corpo, como se antecipassem o que irá ocorrer, em breve, ao indivíduo. Agora, cientistas testam formas de pausar esses processos, prolongando o tempo de atividade dos ovários.

Aqui, cabe pontuar que os seres humanos representam uma das poucas espécies de mamíferos, além de algumas baleias, que entram naturalmente na menopausa, deixando de ser férteis entre os 40 e os 50 anos. Para além da questão da fertilidade, o período é marcado pelo declínio na produção de hormônios e o aparecimento de inúmeros problemas de saúde, como o maior risco de osteoporose e de doenças do coração.

A nova hipótese é que prolongar o tempo de atividade dos ovários pode impactar a longevidade, segundo Jennifer Garrison, cientista e professora do Buck Institute for Research on Aging, nos Estados Unidos. “Esse coquetel, essa orquestra de produtos químicos produzidos pelos ovários, é realmente importante para a saúde geral” da mulher, defende Garrison, para a revista Wired.

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Menopausa e o tempo de vida da mulher

Considerando dados de saúde de mais de 16 mil mulheres norte-americanas, pesquisadores da San Diego State University descobriram que a menopausa tardia tornava mais provável que alguém vivesse até os 90 anos. Publicado na revista científica Menopause, o estudo associa tanto a menopausa quanto a menarca (primeira menstruação) tardias com a maior longevidade feminina.

No entanto, os autores pontuam que o estudo não é conclusivo e outras pesquisas são necessárias para entender como o estilo de vida e os fatores genéticos e ambientais impactam essa equação sobre o tempo de vida das mulheres.

O ovário envelhece mais rápido que o resto do corpo

Em parte desta linha de pensament, está o fato dos ovários envelhecerem mais rápido que o resto do corpo nos níveis molecular e celular. É o que defende um preprint — estudo que não passou por revisão dos pares — desenvolvido por pesquisadores da Columbia University Medical Center. O artigo completo foi publicado na plataforma bioRxiv.

Na pesquisa, os autores analisaram diferentes amostras de células retiradas dos ovários de mulheres que tinham entre 20 e 50 anos, sem que nenhuma tivesse entrado na menopausa. Nas voluntárias mais velhas, as células coletadas podiam se assemelhar a células de outros tecidos de pessoas com 70 anos (muito mais velhas).

De modo geral, o DNA estava danificado e as mitocôndrias apresentavam disfunção na produção de energia. Além disso, a proteína mTOR estava hiperativa, o que está associado ao maior risco de câncer e ao envelhecimento. Em modelos animais, o bloqueio dessa proteína demonstrou aumentar a expectativa de vida das cobaias.

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Estudos em andamento para retardar o envelhecimento

Em mais um passo para compreender o envelhecimento dos ovários e o impacto na longevidade das mulheres, a mesma equipe de cientistas, incluindo Yousin Suh e Zev Williams, trabalha em um estudo clínico (com humanos) para entender se um medicamento que inibe a proteína mTOR, a rapamicina, consegue atrasar o envelhecimento dos ovários. Os testes de Fase 1 envolvem aproximadamente 50 mulheres com idades entre 30 e 40 anos e devem se estender ao longo deste ano.

Caso a medicação consiga prolongar a vida útil dos ovários em relação à fertilidade, é possível que a equipe tenha descoberto um novo caminho para pensar e ampliar a longevidade feminina, com melhor qualidade de vida. No futuro, esta poderá ser uma terapia para melhorar os indicadores de saúde das mulheres.

Fonte: Menopause, bioRxiv e Wired