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Cientistas descobrem como as células-tronco impactam o envelhecimento

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  | 

GiovanniCancemi/Envato Elements
GiovanniCancemi/Envato Elements

Conforme o corpo humano envelhece, a maioria dos sistemas apresenta falhas ou passa a funcionar em uma velocidade reduzida. Hoje, a ciência entende muito pouco sobre este processo, mas novas evidências começam a desvendar o complexo esquema. É o caso das células-tronco do sangue em sua longa missão de renovação celular.

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Após uma série de estudos, cientistas da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos, avançaram no entendimento de como algumas células-tronco são fundamentais no sangue. Quando começam a apresentar defeito ou o equilíbrio do ambiente em que trabalham é quebrado, tornam-se mais recorrentes casos de anemia, coagulação irregular e até câncer.

Até onde se sabe, o processo de declínio das células-tronco hematopoiéticas (HSCs) é inevitável com o envelhecimento, mas, após a recente descoberta, o grupo de pesquisadores quer encontrar formas de barrar esse mecanismo.

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O que atrapalha as células-tronco no processo de renovação celular?

Antes de seguirmos, vale explicar que o tipo de célula-tronco investigada está localizado na medula óssea, produz proteínas e é responsável por se especializar (se desenvolver) em células do tecido sanguíneo e do sistema imune.

Em situações normais, as HSCs sintetizam novas proteínas em um ritmo lento, dando preferência à qualidade do processo. Apesar disso, algumas falhas ocorrem naturalmente, criando proteínas mal dobradas. Estas podem ser tóxicas, caso se acumulem.

No organismo, a forma mais comum de descarte de proteínas danificadas é o proteassoma. É como se ele trabalhasse como um faxineiro geral, decompondo as proteínas nos componentes originais (aminoácidos) quase instantaneamente. Eis que, segundo o estudo publicado na revista Cell Stem Cell, eles não cuidam dos dejetos das HSCs.

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Diferente da regra padrão, as proteínas danificadas são capturadas pelos agressomos, que as concentram em um único local. Após serem encurraladas, elas são destruídas coletivamente pelo lisossomo — uma organela celular carregada de enzimas digestivas. Este processo recebe o nome de agrefagia.

Por que as células-tronco tratam melhor o seu “lixo”?

Segundo os autores, a estratégia diferente de limpeza busca criar um depósito concentrado de aminoácidos. É como se as células-tronco quisessem preservar, bem próximo ao campo de atuação, as peças básicas para a construção de outras proteínas.

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Para comprovar a hipótese, o grupo de cientistas desativou geneticamente o processo de agrefagia. Dessa forma, as células-tronco passaram a acumular as proteínas com defeito, afetando suas capacidades regenerativas. O problema induzido também ocorre em organismos que envelhecem, já que as HSCs têm poucos agressomas.

“Nossa esperança é que, se pudermos melhorar a capacidade das células-tronco de manter o processo de agrefagia, preservaremos melhor a função das células-tronco durante o envelhecimento e atenuaremos os distúrbios sanguíneos e imunológicos”, afirma Robert Signer, principal autor do estudo, em comunicado.

Vale pontuar que, a recente descoberta e a maioria das pesquisas com células-tronco, usam roedores como modelo de pesquisa. Embora os organismos sejam semelhantes, no futuro, o processo deve ser validado com humanos. Sem isso, o campo de conhecimento que busca retardar o envelhecimento e manter a qualidade de vida não avançará.