Óxido de ferro e ímãs nos testículos podem ser o novo anticoncepcional masculino

Óxido de ferro e ímãs nos testículos podem ser o novo anticoncepcional masculino

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 02 de Agosto de 2021 às 11h40
envato

Como prevenir uma gravidez indesejada? Hoje, existem diferentes métodos disponíveis, mas a maioria é voltada para as mulheres, como a pílula anticoncepcional, o implante anticoncepcional, a camisinha feminina ou o dispositivo intrauterino (DIU). No caso dos homens, é possível escolher entre os preservativos descartáveis ou uma vasectomia, mas este último é de difícil reversão. Agora, pesquisadores chineses trabalham em um novo modelo que usa nanopartículas de óxido de ferro e ímãs para impedir, temporariamente, a fertilidade masculina.

Buscando um método contraceptivo masculino seguro, duradouro e reversível, uma equipe de pesquisadores da Universidade Nantong, na China, testou a nova abordagem, com sucesso, em camundongos. Os animais não conseguiram gerar filhotes por mais de sete dias e tiveram sua capacidade reduzida por até 60 dias, a partir da técnica que mescla nanomateriais magnéticos e biodegradáveis. Os resultados desse estudo preliminar para o controle da natalidade foram publicados na revista científica Nano Letters.

Pesquisadores chineses investigam novo método contraceptivo masculino, a partir de imãs (Imagem: Reprodução/YouraPechkin/Envato Elements)

Desafios para testar o novo método anticoncepcional masculino 

Os pesquisadores já sabiam que temperaturas elevadas podem diminuir a concentração de espermatozoides ativos nos homens. Essa oscilação no número de espermatozoides pode ocorrer, inclusive, pelo uso de calças ou roupas íntimas muito apertadas. Dessa forma, eles exploraram formas pelas quais o aquecimento pudesse reduzir a quantidade das células reprodutoras masculinas.

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

Anteriormente, outros pesquisadores avaliariam a eficácia de aquecimento intenso de nanomateriais injetados, diretamente, nos testículos como uma forma de controle de natalidade masculino. No entanto, a injeção pode ser dolorosa e este aquecimento pode danificar a pele. Além disso, a maioria dos nanomateriais testados até agora não eram biodegradáveis.

Assim, a equipe de cientistas chineses trabalhou em uma abordagem magnética-térmica que não precisasse ser injetada diretamente nos testículos. A ideia é que eles chegassem até lá, guiados por ímãs.

Como funcionam as nanopartículas de ferro guiadas por ímã?

Os pesquisadores da Universidade Nantong testaram dois tipos de nanopartículas de óxido de ferro, sendo que um foi revestido com polietilenoglicol (PEG) — mais difícil de ser controlado magneticamente — e o outro com ácido cítrico. Ambas estruturas são consideradas biodegradáveis e podem ser aquecidas por campos magnéticos.

Aquecimento da região dos testículos conseguiu controlar a natalidade de camundongos por mais de 7 dias (Imagem: Reprodução/Ding et al., 2021/Nano Letters)

Estas nanopartículas foram injetadas na corrente sanguínea de camundongos e, com ímãs, os cientistas guiaram os nanomateriais para os testículos. Em seguida, eles aplicaram um campo magnético alternado na região por 15 minutos, chegando a ultrapassar os 40 °C. No processo de aquecimento, os testículos encolhiam temporariamente e inibiam a espermatogênese por pelo menos 30 dias. No total, a recuperação aos padrões pré-experimento levou até 60 dias.

Até sete dias, os camundongos não podiam gerar nenhum filhote, mas voltaram a gerar cerca de 12 filhotes por fêmea grávida no dia 60 do experimento. Segundo os pesquisadores, as nanopartículas não eram tóxicas para as células do organismo e foram gradualmente eliminadas do corpo. "Este estudo oferece novas estratégias para a contracepção masculina", apostam os autores do estudo sobre o futuro do controle da natalidade.

Para acessar o artigo, publicado na revista Nano Letters, clique aqui.

Fonte: Phys  

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.