Ostarina: entenda a função e o suposto caso de doping de Tandara nas Olimpíadas

Ostarina: entenda a função e o suposto caso de doping de Tandara nas Olimpíadas

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 06 de Agosto de 2021 às 17h45
Wavebreakmedia/Envato Elements

Nesta sexta-feira (6), a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) informou que foi constatada a presença de ostarina — uma substância proibida pelas regras da Agência Mundial de Antidopagem (AMA-Wada) — no exame de antidoping da jogadora Tandara Caixeta. A atleta da seleção brasileira feminina de vôlei realizou o teste em julho, antes do embarque para a Olimpíada de Tóquio.

Segundo a ABCD, a coleta da amostra foi feita no dia 7 de julho de 2021, no Centro de Treinamento de vôlei de quadra da seleção, em Saquarema, no Rio de Janeiro. Na quinta-feira (5), o resultado do Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD) confirmou a presença da substância anabolizante ostarina nos exames.

Jogadora da seleção feminina de vôlei é acusada de usar ostarina (Imagem: Reprodução/Wavebreakmedia/Envato Elements)

Para o Código Brasileiro Antidopagem, a presença dessa substância implica na imediata suspensão provisória da atleta. A partir do resultado, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) desligou a jogadora da seleção de vôlei feminino, horas antes da semifinal da Olimpíada. Sem a presença da atleta, o Brasil venceu a Coreia do Sul na semifinal por 3 sets a 0, nesta sexta.

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Por que a ostarina é proibida nos jogos?

De acordo com a ABCD, a ostarina é uma substância pertencente à classe de agentes anabolizantes, que são proibidos em competições de alto rendimento. Vale lembrar que os anabolizantes também são conhecidos como esteroides anabólicos androgênicos e estes são substâncias derivadas do hormônio sexual masculino testosterona.

"A ostarina é uma substância que imita a testosterona, só que supostamente com menos efeitos adversos", comentou ao UOL o médico Alexandre Hohl, presidente do departamento de endocrinologia feminina e de andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Segundo o especialista, o atleta que utiliza a ostarina pode ter um ganho de massa muscular e melhor desempenho na competição. "Em relação a outro esportista que não utiliza, cria-se uma superioridade artificial", afirmou.

No início deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou uma resolução proibindo todos os Moduladores seletivos de receptor de androgênio (SARMs) no país. "A decisão foi tomada por que não existe estudo de segurança com essa substância e ela não é indicada para tratar nenhum problema de saúde", completou o médico.

Defesa da jogadora olímpica

Após o desligamento, a jogadora Tandara divulgou, nas redes sociais, uma nota escrita por seus advogados, em que defende sua inocência no caso de doping. “Confiamos plenamente que comprovaremos que a substância ostarina entrou acidentalmente no organismo da atleta e que não foi utilizada para fins de performance esportiva”, afirma o texto assinado pelo advogado Marcelo Franklin.

“Recentemente, inúmeros atletas no Brasil foram vítimas de incidentes envolvendo a ostarina (SARM-S22), a ponto de a Anvisa intervir para proibir a comercialização de tal substância em território nacional”, argumenta a nota apresentada pelos advogados sobre outros casos com a ostarina.

Além disso, a defesa afirma: "Até o momento, sequer foi analisada a contraprova da urina da atleta (amostra B), portanto, salvo melhor juízo, não se afigura razoável qualquer pré-julgamento de uma atleta íntegra, sem quaisquer antecedentes e que há anos contribui para as conquistas do voleibol brasileiro”.

Fonte: Com informações: Agência BrasilUol    

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