Organizações LGBT+ acusam Facebook e Instagram de desinformação sobre ISTs

Por Rafael Arbulu | 10 de Dezembro de 2019 às 16h15

Uma carta assinada por 52 organizações que advogam em favor da causa LGBT+ acusam o Facebook e o Instagram de promover desinformação por meio da veiculação de anúncios com informações erradas ou imprecisas sobre infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) — especificamente, sobre prevenção e tratamento do vírus da imunodeficiência humana, conhecido mundialmente como HIV.

No documento, que nomeia o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, como remetente, os grupos alegam que entraram em contato com ambas as redes sociais, pedindo pela remoção do conteúdo errôneo, mas foram ignorados. Advogados estão contratando o serviço de anúncios do Facebook e Instagram a fim de encorajar a comunidade LGBT+ a ingressar em ações judiciais de classe contra o laboratório Gillead Sciences, a empresa por trás da pílula de tratamento e contenção do HIV conhecida como “Truvada”. Tais anúncios alegam que o medicamento aumenta o risco de problemas ósseos e dos rins.

Os grupos indicam estarem especificamente incomodados com as menções negativas ao Truvada em métodos preventivos (profilaxia pré-exposição, ou simplesmente PrEP), que consistem na tomada de medicamentos anti-HIV por pessoas não acometidas pelo vírus. Os anúncios atacam a PrEP, e os grupos defendem a sua eficácia, basicamente.

Grupos de apoio à causa LGBT+ acusam o Facebook e o Instagram de serem permissivos com conteúdo enganoso sobre tratamento e prevenção do HIV

"Ao permitir que esses anúncios persistam em suas plataformas, o Facebook e o Instagram estão convencendo pessoas sob risco que elas devem evitar a PrEP, invariavelmente levando a infecções por HIV que são evitáveis. Vocês estão causando danos à saúde pública’, diz a carta, originalmente publicada online pelo grupo LGBT+ GLAAD. O documento conta também com o endosso e assinatura de outras organizações, como a AIDS United, a Campanha pelos Direitos Humanos e o Trevor Project.

Do lado do Facebook, uma porta-voz disse que os anúncios em questão não violam as regras de comunidade das plataformas e que, por isso, eles ainda persistem online. Entretanto, ela também afirmou que a empresa está trabalhando em conjunto com os grupos reclamantes: “Nós valorizamos o nosso trabalho junto a grupos LGBT+ e constantemente procuramos as suas opiniões. Ainda que estes anúncios não violem as nossas práticas publicitárias e nem foram marcados como falsos pela nossa checagem independente de fatos, nós estamos sempre examinando formas de nos aprimorarmos e auxiliar estes grupos a melhor compreender como aplicamos nossas regras”.

Não é a primeira vez que o Facebook se vê em contendas com assuntos relacionados à saúde pública: em março de 2019, a empresa chefiada por Mark Zuckerberg anunciou medidas para coibir a desinformação sobre vacinas, em posts e conteúdos publicitários veiculados por adeptos de teorias da conspiração que atacam a prática médica de imunização de crianças e adultos. À época, as medidas incluíam reduzir o alcance de grupos que propagavam conteúdo anti-vacina na plataforma, sem aparecer em recomendações de busca do usuário, além de remover anúncios que direcionassem usuários para esse tipo de material.

Fonte: CNET

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